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educação diferente

Projecto da responsabilidade da apie - Associação Portuguesa de Investigação Educacional - Educação Especial e Deficiência.

educação diferente

Projecto da responsabilidade da apie - Associação Portuguesa de Investigação Educacional - Educação Especial e Deficiência.

Sindrome X - Frágil - Estudo de Caso (número 11)

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Relatadas que foram algumas informações, que julgamos pertinentes mediante os objectivos a que nos propusemos, entendemos estar perante mais uma situação educativa de difícil percepção e trato. Consideramos que é de difícil percepção atendendo às suas características que, sendo, por vezes, ténues, não deixam transparecer, em primeira observação, a gravidade que lhe está adjacente. De difícil trato, porque é necessário que o professor tenha um conhecimento algo aprofundado acerca da Síndrome e um vasto manancial de conhecimentos e capacidade de recursos que lhe permitam realizar um trabalho condizente com as exigências e necessidades da criança, que respeite as suas capacidades e limitações e promova o real e efectivo desenvolvimento psicológico da criança.

Face à situação cabe ao professor, antes de mais, definir as metas, os objectivos a desenvolver para colmatar as dificuldades detectadas e, na impossibilidade de as colmatar, minimizá-las e tornar a criança o mais autónoma e independente possível.             Dotar a criança de conhecimentos académicos insignificantes, para ela, em nada contribui para o seu desenvolvimento. Desta forma o professor deve proporcionar à criança uma diversidade de situações e condições de trabalho que lhe permitam, fundamentalmente, que seja ela própria a construir o seu próprio conhecimento. Deve “dotá-la” de competências e de capacidades e incentivar nela a (re)descoberta de estratégias conducentes ao sucesso. Numa segunda fase o professor deve ainda incentivar a metacognição, isto é, permitir ao aluno que tenha conhecimento sobre o seu conhecimento, ou seja, tenha conhecimento acerca do seu próprio conhecimento, da tarefa que lhe é pedida e das estratégias indispensáveis para que se concretize a aprendizagem. Desta forma o aluno percepciona que algo corre mal na sua aprendizagem porque sente que não está a entender a tarefa que lhe é apresentada e é induzido a procurar novas estratégias exercendo, desta forma, controle sobre a sua actividade cognitiva.

A intervenção, por parte do professor, deve apostar no prognóstico mais que no diagnóstico, uma vez que o que importa é considerar a capacidade de aprendizagem e evolução que cada criança tem.

Concluímos, assim, que cabe ao professor detectar o problema da criança e não a criança problema, isto é, o professor deve estar preparado para detectar os problemas que afectam a criança de forma a colmatá-los e não ter nunca a preocupação de identificar a criança problema da aula o que só contribui para que os problemas se agravem, já que, em situações destas é frequente uma atitude de negligência por parte do educador face à situação.

Estamos cientes de que com a realização deste trabalho, como de outros trabalhos levados a efeito durante esta formação, contribuímos significativamente para o desenvolvimento pessoal e profissional de cada um dos intervenientes. Os temas tratados, as temáticas escolhidas e as estratégias de divulgação pelas quais enveredamos revelaram-se, sem qualquer margem de dúvida, como uma mais valia para todos. Esperamos, por fim, que não seja o fim mas sim o princípio de novas e profícuas práticas que desejamos ver renovadas.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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GLOSSÁRIO

Atraso de linguagem – expressão usada para designar um desenvolvimento da linguagem inferior ao que seria de esperar tendo em conta a idade.

Etiologia – estudo do que está na origem de uma determinada doença ou perturbação.

Disartria – dificuldades de articulação devido a problemas orgânicos no sistema de produção da fala em que as dificuldades em efectuar um movimento articulatório se deve a problemas de natureza periférica (ao nível da execução do acto da fala).

Dispraxia Verbal – perturbação na coordenação dos movimentos de produção da fala, eu se manifesta em várias alterações da fala: menor inteligibilidade, desvios articulatórios; desvios prosódicos., que se verificam ao nível do planeamento do acto motor.

Ecolália – repetição involuntária de fonemas.

Gaguez – perturbação da fluência da fala.

Gaguez clónica – repetição ou prolongamento de sons ou palavras.

Gaguez tónica – pausas e hesitações dentro de uma palavra ou entre palavras sucessivas.

Metacognição – conhecimento que cada um tem acerca do seu próprio conhecimento.

Oligofasia – termo caído em desuso para referir atrasos e perturbações de linguagem.

Paralisia cerebral – termo genérico usado para referir um conjunto heterogéneo de problemas originados por perturbações nas áreas motoras do cérebro. Essas perturbações surgem precocemente (período pré-natal ou no 1º ano de vida) e resultam em problemas crónicos que afectam o controlo do movimento e a postura, e que podem ou não afectar outras áreas do desenvolvimento.

Perturbação adquirida – perturbação neuropsicológica em que se verifica a perda de uma capacidade anteriormente dominada em consequência de uma lesão cerebral.

Perturbação de desenvolvimento – perturbação neuropsicológica em que o desenvolvimento ou aquisição de uma nova capacidade não progride normalmente. Ao contrário da perturbação adquirida, não chega a haver perda de uma capacidade que existia anteriormente.

Perturbação especifica de linguagem – dificuldades de linguagem que se devem a um funcionamento anómalo do próprio sistema de linguagem. Não são decorrentes de perturbação a outro nível, por exemplo, de deficiência mental, auditiva ou intelectual. Pode ser adquirida ou de desenvolvimento. Exemplos: afasia, SLI, dislexia, dispraxia verbal.

Perturbação fonológica – categoria diagnóstica do DSM-IV (1994) relativa a dificuldades na produção dos sons da fala que interferem no rendimento escolar, no rendimento laboral, ou na comunicação, qualquer que seja a sua origem.

Psicolinguística – domínio interdisciplinar que estuda os processos psicológicos envolvidos no uso da linguagem.

Psicologia cognitiva – abordagem psicológica que enfatiza os processos mentais, quais são, como funcionam e como trabalham em conjunto.

SLI – abreviatura de Specific Language Impairment. É uma perturbação específica de linguagem de tipo desenvolvimental, isto é, que não é consequência de problema neurológico, sensorial ou motor, nem de falta de condições educativas e sociais. Caracteriza-se por dificuldades na aquisição da fonologia e da sintaxe, entre outras.

Surdez verbal de desenvolvimento – perturbação no reconhecimento da fala na ausência de perda auditiva ou lesão cerebral adquirida que a justifique.

 

Autoria:

Fernanda Ferreira (Professora)

Marília Dias (Professora)

Pedro Santos (Professor)

 

Data:

Maio de 2006