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educação diferente

Projecto da responsabilidade da apie - Associação Portuguesa de Investigação Educacional - Educação Especial e Deficiência.

educação diferente

Projecto da responsabilidade da apie - Associação Portuguesa de Investigação Educacional - Educação Especial e Deficiência.

Projecto - Áreas Vocacionais e Pré Formações no Curriculo dos alunos com Nee

Introdução

A sociedade deve proporcionar aos jovens com Necessidades Educativas Especiais a oportunidade de inserção na vida activa, criando para isso condições que auxiliem uma integração eficaz.

A transição para a vida adulta deve ter como principal preocupação, a preparação dos jovens para uma vida adulta com qualidade.

 Recomendação da declaração de Salamanca sobre as Necessidades Educativas Especiais – UNESCO – 1994: “Os jovens com Necessidades Educativas Especiais precisam de ser apoiados para fazer uma transição eficaz para a vida activa, quando adultos.

As escolas devem ajudá-los a tornarem-se activos economicamente e proporcionar-lhes as competências necessárias à vida diária, oferecendo-lhes uma formação nas áreas que correspondam às expectativas e às exigências sociais e de comunicação da vida adulta, o que exige técnicas de formação adequadas, incluindo a experiência directa em situações reais, fora da escola.”

A Importância das Áreas Vocacionais na Transição para a Vida Adulta

Definição

As Áreas Vocacionais podem ser definidas como áreas que fazem parte do currículo dos alunos com Necessidades Educativas Especiais e que visam procurar “vocações” e promover a aprendizagem de novas competências.

Estas áreas servirão também para futuramente encaminhar alunos para unidades de Pré Formação, que posteriormente conferirão as competências essenciais à inserção no mercado de trabalho.

Escola/Instituição

A Escola/Instituição deve possibilitar aos seus alunos um ensino de qualidade. Para isso é necessário que disponha de recursos humanos (técnicos e funcionários), assim como de recursos materiais (materiais pedagógicos) e recursos espaciais (espaços adequados à aprendizagem).

Na escola, os alunos podem beneficiar numa primeira instância da Estimulação Global (destinada ao desenvolvimento de forma inicial e global as áreas cognitiva, sensorial/perceptiva, comunicação, autonomia, sócio-afectiva e psicomotora).

Mais tarde, (e com o evoluir das suas capacidades), devem passar para uma fase de Escolaridade, onde desenvolverão de uma forma mais específica as suas capacidades académicas, ao nível da Língua Portuguesa, Matemática, Estudo do Meio e das Expressões.

Ao longo do seu percurso escolar, os alunos devem usufruir também das restantes áreas, tais como: Educação Física, Educação Musical, Desenvolvimento Pessoal e Social, Formação Cívica, Participação nos projectos escolares (como por exemplo: Jornal Escolar, Horta Pedagógica, Clube Desportivo, etc.), Gabinetes Técnico Especializados (como por exemplo: Psicomotricidade, Terapia da Fala, Terapia Ocupacional, Psicologia); Áreas Vocacionais e Pré Formação.

A Escola/Instituição deve proporcionar aos seus alunos um leque variado de Áreas Vocacionais, para melhor ir ao encontro das necessidades dos alunos.

As Áreas Vocacionais devem ser integradas no currículo dos alunos consoante a sua idade, ano de escolaridade, motivações, grau de deficiência e capacidades (cognitivas, motoras, etc.).

Objectivos da Área Vocacional:

-Experimentar e descobrir diferentes áreas profissionais (de forma teórica e prática);

-Sondar as motivações dos alunos;

-Conhecer as capacidades dos alunos nas diferentes áreas;

-Experimentar novas formas de trabalho;

-Procurar “vocações” nos alunos;

-Possibilitar a aprendizagem de novas competências;

-Etc.

O que devemos esperar da Área Vocacional:

-Encontrar uma vocação que possibilite a integração futura dos alunos numa Pré Formação;

-Desenvolver a Autonomia Pessoal e Social dos alunos;

 -Desenvolver a cognição dos alunos;

 -Elevar a Auto Estima;

-Elevar as Capacidades e Habilidades Motoras dos Alunos;

-Etc.

Escolha das Áreas Vocacionais (deve ter em conta):

-Recursos Humanos disponíveis;

-Recursos Materiais e Espaciais disponíveis;

-Devem ir ao encontro das Pré Formações existentes (âmbito, área, etc.);

 -Devem ser motivantes para o maior número possível de alunos;

 -Etc.

 Normas de funcionamento de uma Área Vocacional:

 -Deve ser inserida no currículo escolar do aluno;

 -Deve estar programada e estruturada (elaborando uma programação das Áreas Vocacionais com as metas, linhas orientadoras, objectivos);

-O Encarregado de Educação deve ter conhecimento das Áreas Vocacionais de que o aluno beneficia (da planificação das avaliações);

-Cada área Vocacional deve ter um Técnico Responsável (responsável pelo processo de aprendizagem do aluno na respectiva Área Vocacional);

-O desempenho do aluno nas Áreas Vocacionais deve ser discutido por todos os técnicos envolvidos no processo (de forma a avaliar, reestruturar e adequar o processo);

 -Cada aluno deve beneficiar de mais do que uma Área Vocacional; Implementação das Áreas Vocacionais As Áreas Vocacionais devem estar englobadas no horário escolar do aluno e devem ser ministradas preferencialmente dentro da Escola/Instituição (devido à idade, capacidades e autonomia dos alunos).

Os alunos devem estar integrados em Áreas Vocacionais, em número e em tipologia, consoante as suas capacidades e motivações.

Nesta fase inicial de formação, a Escola pode efectuar parcerias com Empresas, Instituições, Organismos Públicos, (entre outros) para auxiliar no funcionamento das Áreas Vocacionais, no sentido de proporcionar aos alunos melhores condições de aprendizagem, assim como viabilizar futuros protocolos de Pré Formação ou até de Emprego.

Poderemos organizar as Áreas Vocacionais em três tipos diferentes (tendo em conta o local de realização da mesma):

-Interna;

-Externa

-Interna/Externa

Área Vocacional de Carácter Interno: Aquela que se realiza dentro da Escola/Instituição (num espaço dentro da escola).

Área Vocacional de Carácter Externo: Aquela que se realiza fora da Escola/Instituição (num espaço exterior ao da escola).

Área Vocacional de Carácter Interno/Externo: Aquela que se realiza dentro e fora da Escola/Instituição (devido às suas características realiza-se dentro e fora da escola).

Exemplos de algumas Áreas Vocacionais (que poderão ser incluídas no currículo dos alunos):

- Carpintaria;

- Cerâmica;

- Pintura;

- Tecelagem;

- Limpeza;

- Jardinagem;

- Informática;

- Auxiliar de sala;

- Vigilância/Portaria;

 - Lavadaria/Engomadoria;

 - Cozinha/Culinária.

 Exemplo de uma Área Vocacional – Cozinha/Culinária Introdução:

As competências que se podem adquirir nesta Área Vocacional podem auxiliar o aluno quer numa melhoria da sua qualidade de vida (através de uma elevação da sua autonomia pessoal) quer ao nível da escolha de uma futura actividade profissional.

Recursos:

-Humanos: 2 técnicos.

-Materiais: material de cozinha/culinária.

-Espaciais: um local devidamente apetrechado onde possa funcionar esta actividade (cozinha por exemplo, ou sala devidamente apetrechada).

Alguns objectivos Gerais da Área Vocacional (Cozinha/Culinária):

- Elevar o nível cognitivo, motor e sócio afectivo;

 - Promover o trabalho de grupo;

- Abordar os conteúdos da área do saber com base em situações de carácter real;

- Promover actividades dentro e fora da sala de aula;

- Realizar actividades de forma autónoma, responsável e criativa;

- Promover o respeito pelos colegas, técnicos e material;

 - Desenvolver competências na área de Cozinha. Alguns objectivos Específicos da Área Vocacional (Cozinha/Culinária):

- Colaborar na confecção de alimentos (preparar, cortar, lavar, cozinhar, etc.);

- Conhecer o nome dos utensílios e a sua utilidade;

- Conhecer as regras básicas de higiene alimentar;

- Conhecer a importância dos alimentos;

- Efectuar trabalho de grupo. Algumas estratégias:

- Confeccionar alimentos;

- Cortar, lavar e preparar alimentos para serem confeccionados;

- Efectuar bolos e sobremesas;

- Efectuar um dicionário ilustrado dos utensílios de cozinha;

- Realizar pequenos trabalhos de carácter individual e de grupo;

- Visitar uma cozinha.

 

Pré Formação

 “Um contributo para a transição para a vida adulta”

A Pré Formação deve ser orientada e estruturada no sentido de possibilitar ao aluno (ou alunos) uma aprendizagem de maior qualidade.

Esta tem como principal objectivo a transmissão, ao aluno, de uma diversidade de competências que possibilitem um maior número de aquisições e simultaneamente uma melhor e mais fácil inserção no mercado de trabalho.

A escolha da Pré Formação por parte da Equipa de Técnicos deve ter em conta os seguintes aspectos:

1.Do Aluno:

-Motivações do mesmo em relação a um futuro profissional;

-Nível cognitivo (capacidades intelectuais e académicas);

-Autonomia pessoal e social;

-Características sócio-afectivas;

-Idade;

-Nível motor do aluno (capacidades motoras);

-Grau de deficiência;

2.Do Encarregado de Educação:

-Disponibilidade de colaboração do Encarregado de Educação (autorizando e acompanhando a Pré Formação do seu educando);

3.Da Escola/Sociedade:

-Recursos humanos disponíveis (nomeadamente um Técnico Responsável que acompanhe de perto a Pré Formação);

-Recursos materiais e espaciais (a fim de possibilitar uma formação de maior qualidade);

-Disponibilidade de um local de estágio (quer seja interno ou externo);

-Saídas profissionais que a Pré Formação oferece (a fim de facultar uma melhor entrada no mercado de trabalho).

Assim, podemos organizar a Pré Formação em três tipos (tendo em conta o local de realização da mesma):

-Interna

-Externa

-Interna/Externa

Pré Formação Interna: Aquela que se realiza dentro do espaço da escola.

 Pré Formação Externa: Aquela que se realiza fora do espaço da escola.

Pré Formação Interna/Externa: Aquela que se realiza dentro e fora do espaço da escola.

A Pré Formação deverá implementar-se após a experimentação de algumas áreas vocacionais e deverá ter uma duração de 3 anos lectivos.

Durante esses 3 anos, os alunos beneficiariam de um currículo próprio constituído por 4 áreas diferentes:

- Disciplinas de Carácter Geral (Escolaridade, Educação Física, Expressão Plástica, Educação Musical, entre outras. Com o objectivo de efectuar uma manutenção dos conhecimentos adquiridos, assim como efectuar novas aprendizagens);

- Disciplinas de Carácter Específico (Todas as que estejam directamente relacionadas com a Pré Formação seleccionada, por exemplo: Inglês, Informática, Desenvolvimento Pessoal e Social, Aulas Teóricas, etc.);

 - Gabinetes Técnico Especializados (Acompanhamento psicológico aos alunos em Pré Formação, Psicomotricidade, Terapia da Fala, Terapia Ocupacional, entre outras terapias que possam ser necessárias consoante as necessidades do aluno);

- Estágio na Área de Pré Formação (Pré Formação em posto de trabalho).

Distribuição das Áreas Curriculares ao longo dos 3 anos lectivos:

1ºano de Pré Formação:

1º Semestre:

- Disciplinas de Carácter Geral;

- Disciplinas de Carácter Específico (noções gerais acerca da área de Pré Formação);

- Gabinetes Técnico Especializados;

 - Estágio (observação e participação colaborante).

 2º Semestre:

 - Disciplinas de Carácter Geral;

- Disciplinas de Carácter Específico (acompanhamento teórico do estágio);

 - Gabinetes Técnico Especializados;

- Estágio (início do estágio em posto de trabalho com acompanhamento).

 2ºano de Pré Formação:

 1º Semestre:

- Disciplinas de Carácter Geral;

- Disciplinas de Carácter Específico (acompanhamento teórico do estágio);

- Gabinetes Técnico Especializados;

 - Estágio (estágio em posto de trabalho com acompanhamento).

 2º Semestre:

- Disciplinas de Carácter Geral;

- Disciplinas de Carácter Específico (acompanhamento teórico do estágio);

- Gabinetes Técnico Especializados;

- Estágio (estágio em posto de trabalho sem acompanhamento).

3ºano de Pré Formação:

 1º Semestre:

 - Disciplinas de Carácter Geral;

- Disciplinas de Carácter Específico (acompanhamento teórico do estágio);

- Gabinetes Técnico Especializados;

- Estágio (estágio em posto de trabalho sem acompanhamento).

2º Semestre:

 - Disciplinas de Carácter Geral;

- Disciplinas de Carácter Específico (acompanhamento teórico do estágio);

 - Gabinetes Técnico Especializados;

- Estágio (estágio em posto de trabalho sem acompanhamento).

Participantes no processo de Pré Formação:

- Aluno;

- Técnico Responsável pela Pré Formação;

- Conselho de Técnicos (Professores, Educadores, Psicólogos e restantes funcionários);

- Encarregado de Educação do Aluno;

- Empresa ou Instituição parceira (no caso de se tratar de uma Pré Formação Externa).

 Documentos necessários para a Pré Formação (a constar no dossier das Pré Formações):

- Identificação do Aluno (pessoal, académica, familiar, etc.);

- Plano de Pré Formação (objectivos, definição, metas, estratégias, protocolo, etc.);

- Protocolo de Pré Formação (acordo escrito com a empresa, associação ou instituição);

- Autorização do Encarregado de Educação;

- Avaliações Mensais do Plano de Pré Formação (avaliação mensal do plano);

- Avaliação do Plano (avaliação semestral do plano).

Objectivos Gerais e Comuns a cada Pré Formação:

- Elevar o nível cognitivo, motor e sócio afectivo;

 - Promover o trabalho de grupo;

- Auxiliar na integração profissional do aluno;

- Abordar os conteúdos da área do saber com base em situações de carácter real;

- Promover actividades variando os espaços e as situações;

- Realizar actividades de forma autónoma, responsável e criativa;

 - Promover o respeito pelos colegas, técnicos e material;

 - Desenvolver competências na área de Pré Formação.

Exemplo de uma Pré Formação– Empregado de Loja

Objectivos:

- Desenvolver competências de empregado de loja;

 - Desenvolver estratégias de comercialização de produtos;

- Realizar trocas monetárias;

- Organizar a loja e zelar pela manutenção da loja.

Duração:

3 anos lectivos.

Recursos:

- Humanos: 1 técnico responsável e restantes técnicos.

 - Espaciais: 1 local (loja) devidamente apetrechado para a realização das actividades.

 - Materiais: telemóvel, máquina de calcular, objectos para venda, etc.

 

Autoria: Pedro Santos (Professor)

Data: Janeiro de 2006

 

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