Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

educação diferente

Projecto da responsabilidade da apie - Associação Portuguesa de Investigação Educacional - Educação Especial e Deficiência.

educação diferente

Projecto da responsabilidade da apie - Associação Portuguesa de Investigação Educacional - Educação Especial e Deficiência.

Sindrome X - Frágil - Estudo de Caso (número 9)

III – INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA

1 – O professor – que papel?

Trabalhar com crianças deficientes, exige um trabalho mais específico nas áreas sociais, psicossociais, sensoriais, de autonomia e independência pessoal contudo a vertente cognitiva não pode ser descurada.

A intervenção educativa dentro da sala de aula parte, inicialmente, da consciencialização, por parte do professor, de que a criança tem limitações e da descoberta das causas das mesmas. Aspectos como o relacional contribuem para, através de uma atitude empática, levar a criança a sentir-se reconfortada, amparada, segura e suplantar as dificuldades que manifesta. Em casos mais graves, a intervenção educativa passa pelo incentivo do uso da linguagem e pela consciencialização no outro, de que a comunicação é um acto que coexiste em contexto de interacção social. A fala surge, assim, espontaneamente como um meio de troca de experiências.

O professor deverá planificar uma intervenção centrada nos domínios da aprendizagem, ou seja, no ensino directo das áreas em que a criança apresenta dificuldades, quer se trate da leitura, da matemática ou de qualquer outra área, sem nunca perder de vista as suas capacidades e interesses.

Neste contexto é importante considerar os objectivos que assistem ao desenvolvimento da linguagem: encorajar o uso da fala para se expressar; cria condições de aprendizagem de palavras novas; incentivar a compreensão e a produção de fala, e que o professor deve ter sempre presentes. É por isso importante a definição dos objectivos, dentro das limitações/possibilidades da criança, que visem desenvolver os aspectos linguísticos, nomeadamente no domínio da fala, da leitura e da escrita, incentivar a descoberta do mundo e contribuir para o seu desenvolvimento cognitivo.

Considerando o desenvolvimento como o conjunto das mudanças que ocorrem na organização do pensamento e que resultam da aquisição de novos conhecimentos cabe ao professor fornecer à criança conceitos e teorias que lhe possibilitem a formação de um conjunto de conhecimentos estruturados, que, por sua vez, quando confrontado com um problema, viabilizem a construção de uma representação que o conduzirá à sua resolução. Desta forma a intervenção deve centrar-se na aquisição de conhecimentos, isto é, nas áreas escolares pois é neste contexto que se devem procurar as formas de optimizar o processo de ensino / aprendizagem, no caso de se tratar de crianças com dificuldades de aprendizagem e de desenvolvimento.

Uma vez detectada a necessidade de se incidir nas áreas específicas para promover uma determinada aquisição, por parte dos alunos com dificuldades de aprendizagem, a planificação das actividades e das estratégias passa a ser uma das preocupações fundamentais neste domínio. A melhor forma de viabilizar este tipo de ensino é através da instrução directa. Esta refere-se ao modo de ensino em que o professor promove uma nova aprendizagem através da apresentação do conteúdo e em que é permitido ao aluno testar a sua capacidade de compreensão e domínio da matéria, mediante uma prática orientada. Esta caracteriza-se por se centrar nos conteúdos académicos que devem ser analisados em pequenas unidades e por apelar a métodos directivos em que o professor assume um papel central.

De acordo com Rosenshine e Stevens (1986:379, cit por Raposo, Bidarra e Festas: 1998: 151) podemos identificar seis fases na instrução directa:

1.      Revisão e avaliação do trabalho do dia anterior (e novo ensino se necessário);

2.      Apresentação de novos conteúdos;

3.      Prática guiada (e avaliação para a compreensão);

4.      Correcção e Feedback (e novo ensino se necessário);

5.      Prática autónoma;

6.      Revisões semanais e mensais.

Cada uma destas fases apresenta por sua vez algumas características que importa referenciar.

            Todas as fases mencionadas devem ser trabalhadas de forma sequencial e gradual, para que as crianças possam atingir com sucesso patamares de desenvolvimento pessoal e social superiores.

Fases de instrução directa na aprendizagem

Fases

Características / procedimentos

Objectivos / avaliação

Revisão e avaliação do trabalho do dia anterior

- Correcção dos trabalhos de casa;

- Ensino das áreas de maior dificuldade;

- Revisão das aprendizagens anteriores;

- Revisão dos pré-requisitos.

- Prática e aprendizagem d matéria dada;

- Detecção e superação de eventuais dificuldades.

 

Apresenta-ção de novos conteúdos

 

- Apresentação dos objectivos da lição;

- Apresentação da estrutura geral da lição;

- Procedimentos, pequenos passos e pequenas unidades;

- Colocação de questões;

- Realce dos pontos principais;

- Fornecimento de exemplos concretos, demonstrações e modelos;

- Avaliação da compreensão dos alunos.

- Definição dos objectivos;

- Avaliação / verificação da aprendizagem.

 

 

Prática guiada

- Realização de perguntas;

- Orientar os alunos no exercício de matérias novas;

- Avaliar a compreensão dos alunos;

- Dar feedback;

- Corrigir os erros;

- Voltar a ensinar sempre que se justifique;

- Dar um grande número de exercícios que os alunos podem realizar com sucesso;

- Treino e pratica das aprendizagens feitas;

- Consolidação de aprendizagens.

Correcção e Feedback

- Corrigir e dar feedback às respostas dos alunos sempre

- Dar ao aluno a possibilidade de treinar a resposta correcta;

- Motivar o aluno;

- Reforçar o ensino.

 

Prática autónoma

- Trabalho individual;

- Trabalho de grupo

- Tornar o aluno capaz de trabalhar de forma independente.

Revisões semanais e mensais

- Rever sistematicamente a matéria;

- Avaliação da compreensão e do domínio que os alunos têm das aprendizagens;

- Avaliar a acção do professor.

 

2 – Materiais e estratégias a utilizar

            Para que as crianças atinjam níveis de desenvolvimento cada vez mais elevados deverão ser motivadas e trabalhadas recorrendo ao uso de materiais e estratégias que se adeqúem às suas características devendo ser diversificadas e adaptadas a cada caso específico.

            Enunciamos de seguida alguns materiais e estratégias possíveis de serem usados com crianças com SXF.

J     Proporcionar áreas com segurança para a aprendizagem e para a brincadeira;

J     Criar um ambiente controlado e pouco confuso, onde o aluno possa aprender, praticar e concentrar-se nas actividades propostas;

J     Possibilitar ao aluno um ensino de carácter funcional que lhe permita usufruir de uma melhor qualidade de vida, assim como criar condições para uma melhor integração na vida activa;

J     Definir dentro do ambiente do aluno diferentes áreas de realização de actividades;

J     Arrumar os materiais e objectos em locais próprios, desenvolvendo a orientação e a consistência ambiental;

J     Utilizar materiais / objectos de diferentes texturas, tamanhos, formas, pesos, etc.;

J     Aplicar objectos da vida diária;

J     Usar o “little room” ou pequenos ginásios onde o aluno possa desenvolver as suas capacidades e habilidades;

J     Aplicar materiais/objectos surpresa durante as actividades para auxiliar no desenvolvimento e skills;

J     Empregar materiais que activem e desenvolvam os sentidos: vestibular, auditivo, olfactivo, táctil e gustativo do aluno (como o uso de objectos produtores de vibrações, ressonâncias, ritmos, pesos e temperaturas para desenvolver estes sistemas sensoriais);

J     Aproveitar materiais / equipamentos gímnicos e psicomotores que permitam o trabalho de habilidades motoras, como: puxar, apanhar, largar objectos;

J     Aplicar pistas sonoras, visuais e tácteis que permitam encontrar objectos ou explicação para algumas situações;

J     Usar texturas secas, húmidas e molhadas;

J     Realizar actividades de estimulação sensorial em ambientes controlados e mudá-los gradualmente para ambientes naturais;

J     Organizar actividades rotineiras a fim de proporcionar experiências sensoriais e encorajar a sua utilização em situações específicas;

J     Ter em conta os posicionamentos da criança (recorrer à ajuda de um terapeuta ocupacional ou fisioterapeuta se necessário);

J     Tomar atenção às formas de resposta do aluno (como: movimentos corporais, expressões, posturas, respirações, etc.);

J     Deixar o aluno explorar objectos, alimentos e pessoas;

J     Utilizar as rotinas diárias significativas para a criança como momento de aprendizagem;

J     Dar informação oral por trás da criança, de forma a facilitar uma melhor percepção auditiva;

J     Ensinar/estimular o uso das mãos como ferramentas de exploração e experimentação;

J     Permitir que os objectos estejam ao alcance do aluno;

J     Efectuar a estimulação sensorial de forma cuidada, sistemática e gradual (para não criar confusão ao aluno);

J     Explorar objectos / materiais em conjunto com o aluno (mostrar como se segura, utiliza e explora os objectos);

J     Utilizar a informática e as TIC como instrumentos para desenvolver a aprendizagem do aluno;

J     Experimentar diferentes ambientes de trabalho (exteriores e interiores);

J     Utilizar o trabalho individual e de grupo;

J     Ensinar / estimular a criança a aproximar-se e a tocar nos outros.