"educação diferente" é um blog da responsabilidade da apie - Associação Portuguesa de Investigação Educacional onde serão abordadas temáticas relacionadas com a educação especial e com as Nee... Participa! edif@sapo.pt
Quinta-feira, 3 de Janeiro de 2008
Beneficios das actividades aquáticas para crianças/jovens portadores de nee

A natação para alunos portadoras de deficiência é compreendida como a capacidade do indivíduo para dominar o elemento água, deslocando-se de forma independente e segura sob e sobre a água utilizando, para isto, toda sua capacidade funcional, residual e respeitando suas limitações.

A água apresenta propriedades que facilitam ao indivíduo a sua locomoção sem grande esforço, pois a sua propriedade de sustentação e eliminação quase que total da força da gravidade, podem aliviar o stress exercido sobre as articulações que sustentam o peso do corpo - auxiliando o equilíbrio estático e dinâmico e propiciando desta forma maior facilidade de execução dos movimentos (que em terra seriam muito difíceis ou impossíveis de serem realizados).

Benefícios fisiológicos

Quando o corpo está exposto a um estímulo frio, por exemplo, em água fria, os vasos contraem-se, evitando que seja liberado calor interno. Ao contrário, se o estímulo de calor é maior que a temperatura interna, há uma vaso dilatação para que o calor seja liberado e a temperatura se mantenha em equilíbrio.

Tratando-se de pessoas portadoras de deficiência, juntamente com a grande dificuldade de equilíbrio e desenvolvimento da marcha, as características peculiares da água como alta viscosidade, espessura, eliminação da gravidade contribuem para a realização de exercícios de educação e/ou reeducação motora, proporcionando-lhes maior segurança na execução dos movimentos.

Benefícios psicossociais

A natação não é uma actividade solitária e extremamente individualista. As actividades aquáticas ou o aprender a nadar também são um processo de aprendizagem de socialização – daí a necessidade do portador de deficiência aprender a subir degrau a degrau, inicialmente, relacionando-se indivíduo-objecto para depois pessoa-pessoa e, por último, o indivíduo interagindo com o grupo.

Benefícios cognitivos

Os aspectos motivadores e as propriedades terapêuticas da água estimulam o desenvolvimento da aprendizagem cognitiva e o poder de concentração, pois o aluno busca compreender o movimento do seu próprio corpo explorando as várias formas de se movimentar, adaptando as suas limitações às propriedades da água.

Muitos professores realizam actividades motoras na água onde utilizam conteúdos de aprendizagem escolar – reforçando desta forma o aspecto cognitivo das crianças, por exemplo: contar, mergulhar objectos de formas e cores diferentes, entre outras.


Efeitos terapêuticos

Podemos conseguir os seguintes efeitos com exercícios terapêuticos da água, considerando os vários tipos de deficiências, tais como:

·        Diminuição de espasmos e relaxamento muscular;

·        Alívio da dor muscular e articular;

·        Manutenção ou aumento da amplitude do movimento articular;

·        Fortalecimento e aumento da resistência muscular localizada;

·        Melhoria circulatória e na elasticidade da pele;

·        Melhoria no equilíbrio estático e dinâmico;

·        Relaxamento dos órgãos de sustentação (coluna vertebral)

·        Melhoria da postura;

·        Melhoria da orientação espaço-temporal.

Conclusões

A actividade na água, ou o movimento de nadar, significa para o portador de deficiência muitas vezes, um momento de liberdade – momento este, em que consegue movimentar-se livremente sem auxílio de bengala, muletas, pernas mecânicas ou cadeiras de rodas.

O movimento livre facilita a possibilidade de experimentar as suas potencialidades, de vivenciar as suas limitações, isto é, conhecer-se a si próprio, confrontar-se consigo mesmo.

Quando o portador de deficiência descobre as suas potencialidades, apesar das suas limitações, descobrindo sua capacidade de se movimentar na água, sem auxílio – inicia o seu prazer em desfrutar a água, cresce a sua auto-estima, aumenta a sua auto-confiança e consequentemente sua independência.

A actividade aquática satisfaz as necessidades do deficiente, especialmente a necessidade de “acção”, por isso ela deve ser vista como um factor de desenvolvimento, tanto fisiológico, psicossocial e cognitivo a qual pode desvincular-se das situações reais e levá-la a agir independentemente do que ela vê.

Recomenda-se o trabalho de estimulação aquática para o deficiente através da Educação Física Adaptada, uma vez que o mesmo sempre esteve sob domínio de outras áreas como a médica – a estimulação aquática é um trabalho desenvolvido de uma forma menos rotineira, mecânica, restritiva e reforçadora da deficiência.

in Acção "A importância das actividades aquáticas para as crianças e jovens con nee" a realizar em Janeiro de 2008


temáticas:

publicado por educação diferente às 17:59
link do post | comentar | ver comentários (5) | adicionar aos favoritos
|

quem somos
pesquisar neste blog
 
Maio 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
12

13
14
15
16
17
18
19

20
21
22
23
24
25
26

27
28
29
30
31


artigos recentes

PACOTE DE EDUCAÇÃO ESPECI...

Temáticas do Pacote de Ed...

Intervenção consciente

Autismo

Síndrome de Alstrom

Panorama da deficiência n...

Síndrome Kabuki

EQUOTERAPIA E PSICOLOGIA ...

Dislexia - Conhecer para ...

A emergência da questão s...

EIXOS DE ENSINO: PARA ALU...

IV Cimeira Virtual de Edu...

Abertura da IV Cimeira Vi...

Portugal

Itália

Inglaterra

Nova Zelândia

Canadá

Venezuela

Austrália

México

Cabo Verde

Brasil

Espanha

Bélgica

Nicarágua

Irlanda

Fim da IV Cimeira Virtual...

Projecto Curricular de Tu...

Musicoterapia e comunicaç...

A utilização do peixe com...

SXF

Autismo - Intervenção

Acessibilidade web: 7 mit...

1º Trimestre de formação ...

Hiperactividade - Em casa...

Reflexão - Formação pesso...

Regresso às Aulas: Manual...

A importância da família ...

Programas básicos de equo...

O que é a Paralisia Cereb...

Orientação Sexual: experi...

Prader-Willi

A importância da água no ...

Informação da apie - Sebe...

III Cimeira Virtual de ...

Abertura da cimeira

Portugal

EUA

França

arquivos

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Janeiro 2007

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

temáticas

artigos de opinião

Artigos de Opinião

Associação Portuguesa de Investigação Ed

associação portuguesa de investigação ed

cimeira 2008

cimeira 2009

cimeira 2010

cimeira 2011

deficiência

divulgação

educação especial

informações

intervenção

Intervenção

Investigação

investigação 2

nee

projectos

recursos

sindromes/problemáticas

Sindromes/Problemáticas

síndromes/problemáticas

todas as tags

propostas edif
subscrever feeds