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educação diferente

Projecto da responsabilidade da apie - Associação Portuguesa de Investigação Educacional - Educação Especial e Deficiência.

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Projecto da responsabilidade da apie - Associação Portuguesa de Investigação Educacional - Educação Especial e Deficiência.

Hidrocefalia

Introdução

Hidrocefalia ocorre quando há um desequilíbrio entre a produção e absorção do líquor pela corrente sanguínea ao nível dos ventrículos cerebrais. Quando a produção é superior à absorção, o líquor acumula-se no cérebro, geralmente sob pressão elevada.

No recém-nascido, devido à condição dos ossos do crânio, ainda não completamente desenvolvidos e unidos – o aumento da pressão faz com que a cabeça aumente de tamanho.

Geralmente, a Hidrocefalia é associada à forma aberta de Spina Bífida denominada de mielomeningocelo  – sendo que a percentagem de crianças que evidencia as patologias em simultâneo é de aproximadamente 80%.

Características

Recém-nascido/bebé: aumento do perímetro cefálico; rede venosa do couro cabeludo visível; fontanelas tensas e não pulsáteis; afastamento das suturas cranianas; sinal de Macewen (som oco com a percussão); recusa alimentar; irritabilidade; choro estridente; redução da espessura dos ossos cranianos; entre outros...

Infância: recusa alimentar; irritabilidade; letargia; apatia; confusão; vómitos; cefaleias matinais; estrabismo; alterações extrapiramidais (ataxia: marcha desequilibrada); olhos encovados; sinal de sol poente (esclerótica visível acima da íris); reacção pupilar lenta com resposta assimétrica à luz; posição em opistótonos (hiperextensão da cabeça); espasticidade (rigidez) nos membros inferiores; entre outros...

Adulto: cefaleia; alterações da visão; náuseas e vómitos; distúrbios psíquicos; estrabismo; entre outros...

Intervenção

O aumento do volume de Liquor Cefalorraquidiano nos ventrículos laterais denominada de hidrocefalia, em todos os casos de hidrocefalia existe sintomatologia e necessita de uma intervenção imediata.

O tratamento da hidrocefalia tem como principal objectivo manter a pressão intraventricular estável sem comprometer o parênquima cerebral.

O tratamento, na maioria dos casos, é cirúrgico com a colocação de um shunt que tem como função drenar o LCR excedente dos ventrículos para o peritoneu da própria criança (derivação ventriculo-peritoneal ou Shunt VP).

Consiste numa intervenção cirúrgica na qual se remove o obstáculo que está a impedir a circulação do LCR e/ou na colocação de um shunt. O shunt é uma válvula conectada a um tubo de plástico que vai permitir a drenagem do LCR excedente da cabeça para o peritoneu (cavidade abdominal).

Esta válvula é colocada na cabeça nos ventrículos cerebrais e controla a pressão dentro do cérebro deixando sair o LCR acumulado e está ligada a um tubo que vai por baixo da pele até ao peritoneu.

 

Complicações do Shunt

Bloqueio – no recém-nascido devemos estar atentos a alguns sinais/sintomas como irritabilidade, aumento da temperatura, vómitos, fontanelas hipertensas. Esta complicação ocorre nos primeiros 12 meses após a inserção do Shunt. Em caso de bloqueio é necessária nova intervenção cirúrgica para reajustamento do Shunt.

Infecção – pode ocorrer a qualquer momento, mas o período de maior risco é durante os dois primeiros meses. Na presença de infecção, o bebé poderá apresentar aumento da temperatura corporal, cansaço, irritabilidade, falta de apetite, erupções na pele em torno do local de inserção. Se o shunt está infectado é necessário que seja retirado e é no seu lugar colocado um dreno externo para que possam ser administrados antibióticos por essa via (os antibióticos intravenosos não atravessam a barreira hematoencefálica).

 

Durante o período pós-operatório, é muito importante que proteger a sutura, evitar que a criança posicione a cabeça para o lado onde está inserida a válvula.

Exames complementares de diagnóstico como ecografia transfontanelar e Tomografia Axial Computorizada (TAC) craneoencefálica, são utilizados para avaliar a evolução/regressão da hidrocefalia. Todavia, a avaliação frequente do perímetro cefálico e observação clínica da criança de sinais e sintomas sugestivos de hipertensão ou hipotensão intracraneana são fundamentais.

A válvula ventriculo-peritoneal deve permitir uma drenagem controlada e sistemática, por isso o crescimento da cabeça da criança acontece de acordo com o seu desenvolvimento. Uma ligeira a moderada hidrocefalia ou dilatação ventricular pode persistir no entanto importa avaliar a sua evolução e se há sinais de comprometimento neurológico.