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educação diferente

Projecto da responsabilidade da apie - Associação Portuguesa de Investigação Educacional - Educação Especial e Deficiência.

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Projecto da responsabilidade da apie - Associação Portuguesa de Investigação Educacional - Educação Especial e Deficiência.

Epilepsia

A epilepsia é uma doença do sistema nervoso que causa alterações repetidas, súbitas e breves da actividade eléctrica do cérebro, manifestando-se por crises epilépticas recorrentes. As crises epilépticas são episódios de descarga anormal e excessiva de células nervosas cerebrais, que afectam temporariamente a forma como a pessoa se comporta, move, pensa ou sente.

Existem dois tipos principais de crises epilépticas: uma crise epiléptica generalizada primária envolve todo o cérebro e provoca perturbação do estado de consciência. Ou, uma crise epiléptica focal ou parcial começa numa área cerebral, afectando apenas uma parte do cérebro. No entanto, uma crise parcial pode transformar-se numa crise epiléptica generalizada (crise parcial com generalização secundária).

Muitas situações podem afectar o cérebro e desencadear epilepsia, incluindo: lesões cerebrais, antes ou depois do nascimento (por exemplo, traumatismo); tumores cerebrais; infecções, especialmente a meningite e a encefalite; doenças genéticas; vasos sanguíneos anormais no cérebro (malformações vasculares); tóxicos (por exemplo, intoxicação pelo chumbo); malformações do desenvolvimento do cérebro.

Manifestações clínicas

As manifestações da epilepsia variam, dependendo da extensão da área do cérebro afectada e da sua localização.

  1. Crises epilépticas generalizadas primárias:

Crise tónico-clónica generalizada – a pessoa perde a consciência, cai no chão e pára temporariamente de respirar. Todos os músculos corporais contraem-se ao mesmo tempo durante um curto período. Isto é seguido por uma série de movimentos espasmódicos. Algumas pessoas têm incontinência urinária e fecal e pode ocorrer mordedura da língua. Esta crise pode durar alguns minutos, sendo seguida por um período de sonolência e confusão mental.

Crise tipo ausência – a perda de consciência é tão breve que a pessoa geralmente não muda de posição. As ausências começam e terminam abruptamente, com retorno imediato ao estado normal. Durante alguns segundos, a pessoa pode: ficar com olhar vazio, fixo; pestanejar rapidamente; efectuar movimentos de mastigação; mover um braço ou uma perna ritmicamente.

  1. Crises epilépticas parciais (focais):

Crise parcial simples – a pessoa permanece acordada e consciente. Os sintomas variam, dependendo da área cerebral envolvida, podendo incluir: movimentos espasmódicos numa parte do corpo; experiência de odores, sons anormais ou alterações visuais; náuseas; sintomas emocionais, tais como medo ou raiva inexplicados.

Crise parcial complexa – a pessoa pode parecer consciente mas não responde durante um curto período, podendo verificar-se: um olhar vazio; mastigação ou estalar os lábios; movimentos repetitivos da mão; comportamentos fora do habitual.

Estado de mal epiléptico – ocorre quando a pessoa tem uma crise epiléptica generalizada que dura 15 a 30 minutos ou mais, podendo também resultar de uma série de crises epilépticas sem recuperação completa da consciência entre as várias crises. Esta situação constitui uma emergência médica potencialmente fatal.

Diagnóstico

O médico irá diagnosticar epilepsia com base nos seguintes dados: história clínica; exame físico pormenorizado; exame neurológico completo; resultados de um electroencefalograma, exame em que é feito um registo da actividade eléctrica do cérebro através de eléctrodos metálicos ligados ao couro cabeludo. Em muitos casos, o médico irá pedir também uma tomografia computorizada ou uma ressonância magnética nuclear do cérebro. Podem também ser necessários outros tipos de exames cerebrais. O médico pode verificar se as crises epilépticas estão relacionadas com causas exteriores ao cérebro. Para isso, pode pedir exames laboratoriais, incluindo análises de sangue e análises de urina. Poderá ser também solicitada a realização de um electrocardiograma.

Prevenção

A causa da maior parte dos casos de epilepsia permanece desconhecida. Deste modo, não existe forma de prevenir a doença.

No entanto, os traumatismos cranianos podem provocar epilepsia e são muitas vezes evitáveis com as seguintes medidas: usar cinto de segurança quando conduz e dar preferência a carros com “airbags”; usar um capacete apropriado quando anda de skate, de mota ou de bicicleta; usar protecções para a cabeça na prática desportiva.

As pessoas com epilepsia devem ponderar o uso de uma identificação médica que descreva a sua doença. Isto irá proporcionar informações importantes para o pessoal médico numa situação de emergência.

Tratamento

Os doentes com epilepsia devem ter períodos de sono regulares, com repouso nocturno suficiente, e não devem consumir álcool.

Na maior parte dos casos, o tratamento começa com um ou mais medicamentos anti-epilépticos. O tipo de medicação usado depende do tipo de crise epiléptica a ser tratada.

Quando a medicação não consegue controlar as crises, pode ponderar-se uma intervenção cirúrgica. A decisão de realizar uma cirurgia depende de muitos factores, incluindo: a frequência e a gravidade das crises epilépticas; o risco de lesão cerebral, bem como de outras lesões, devido à ocorrência de crises frequentes; efeito sobre a qualidade de vida; estado de saúde em geral do doente; probabilidade da cirurgia poder controlar as crises epilépticas.

Se testemunhar uma crise convulsiva generalizada, com queda e abalos musculares generalizados:

  1. Permaneça calmo e vá controlando a duração da crise, olhando periodicamente para o relógio;
  2. Coloque uma toalha ou um casaco dobrado debaixo da cabeça da pessoa;
  3. Quando os abalos (convulsões) pararem coloque a pessoa na posição lateral de segurança;
  4. Permaneça com a pessoa até que recupere os sentidos e respire normalmente;
  5. Se a crise dura mais do que 5 minutos, chame uma ambulância.

NÃO introduza qualquer objecto na boca nem tente puxar a língua (a teoria de que as pessoas podem "enrolar a língua" e asfixiar não tem fundamento).

NÃO tentar forçar a pessoa a ficar quieta.

NÃO lhe dê de beber.