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educação diferente

Projecto da responsabilidade da apie - Associação Portuguesa de Investigação Educacional - Educação Especial e Deficiência.

educação diferente

Projecto da responsabilidade da apie - Associação Portuguesa de Investigação Educacional - Educação Especial e Deficiência.

Educação Sexual

Ao caminharmos num sentido mais humanista - reconhecido nos movimentos actuais de índole social, educacional, psicológico e legislativo – seria contraditório e inconcebível que não se respeitasse e reconhecesse o direito à sexualidade e à educação sexual daqueles que são “diferentes”. Antes de mais, é preciso encarar o facto de que a sexualidade é inerente a todo ser humano, independente de seu estado. As diferenciações ocorrem na exteriorização. A sua conduta será mais ou menos adequada dependendo do comprometimento intelectual que ele possui, uma vez que esse défice remete a uma maior dificuldade na organização de seu ‘eu’, e, em consequência, de sua relação com o mundo.

A educação sexual na diferença, necessitará de mais persistência, a orientação e os conselhos são os mesmos que se devem dar a uma criança normal, com a diferença de que é preciso falar sempre, várias vezes, um, dois, até três anos, adequando a linguagem ao seu nível de compreensão e nunca esquecendo a importância de os fazer sentir membros da sociedade e, como tal conhecedores de regras e respeito pelos outros. A sexualidade é um atributo de qualquer ser humano. Mas para ser compreendida, não se pode separá-la do indivíduo como um todo. Ela é parte integrante e intercomunicante de uma pessoa consigo mesma e para com as outras. Portanto, é muito mais do que simplesmente ter um corpo desenvolvido ou em desenvolvimento, apto para procriar e apresentar desejos sexuais.

A sexualidade existe para servir ao indivíduo e não o contrário, o indivíduo para viver a serviço da sexualidade. Até parece que ela é o seu objectivo de vida e não uma consequência natural do seu desenvolvimento como ser humano. A nossa cultura tem uma tendência de reduzir a sexualidade a sua função reprodutiva, esquecendo, por vezes, a importância dos sentimentos e emoções decorrentes do processo educacional e vivencial de cada um.

A educação sexual vista como um instrumento relacional importante, a sexualidade fundamenta-se no aspecto biopsicossocial de cada indivíduo. Assim, ela é construída a partir de três elementos primordiais: o potencial biológico, o processo de socialização e a capacidade psicoemocional.

O funcionamento intelectual e a capacidade adaptativa, de cada são responsáveis pela aprendizagem dos códigos de comportamento social e pela incorporação desses valores, considerando aqui o papel preponderante da família e dos agentes educativos que intervêm no desenvolvimento da pessoa com deficiência, possibilitando a utilização de mecanismos compensatórios que favorecem e estimulam a adaptação, tais como o lazer, as relações sociais, e, sobretudo, as experiências com relacionamentos afectivos.

Falar de Inclusão requer que se fale também em interacção e socialização. Abordar estes aspectos, leva-nos obrigatoriamente, a (re)pensar a educação sexual, pois esta abarca comportamentos sociais e interpessoais, inerentes a todos os seres humanos e que não podemos deixar continuar  que sejam ignorados.

“O amor para dar uma ideia mais geral é a única forma de arranjar força para viver. (…)Tu podes fazer a diferença na decisão quando souberes a verdade sobre o amor que é a força interior que me dá alegria e gosto para acordar todos os dias e vir para a escola.” (testemunho de um aluno)

Margarida Braga (Professora)