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educação diferente

Projecto da responsabilidade da apie - Associação Portuguesa de Investigação Educacional - Educação Especial e Deficiência.

educação diferente

Projecto da responsabilidade da apie - Associação Portuguesa de Investigação Educacional - Educação Especial e Deficiência.

Estudo de Caso - Síndrome de Lowe (número 2.1)

4.4 – Comportamento adaptativo

 

A área de maior desenvolvimento das crianças deficientes é a do domínio comportamental, uma vez que, o potencial inato é fisiológico e os aspectos funcionais são comportamentais. São estes comportamentos que, definidos por Grossman (1983: 157, cit. por Vieira e Pereira, 2003: 43) como “a eficácia ou o grau com que o indivíduo encontra o padrão de independência pessoal, responsabilidade social esperada para a sua idade e grupo cultural”, que ajudam a criança a adaptar-se às situações quotidianas.

 

Assim sendo, para se ajudar uma criança a estabelecer a sua autonomia pessoal e social e a desenvolver-se da forma que lhe é mais conveniente é necessário traçar um quadro de comportamentos adaptativos que se adeqúem às necessidades e potencialidades da criança.

 

O Ro, no ano em que entrou para a escola fazia-se acompanhar de um quadro de comportamentos adaptativos, que havia sido elaborado pela Santa Casa da Misericórdia, o qual se apresenta de seguida (Quadro 2).

 

No ano lectivo em curso, após ter trabalhado para superar as dificuldades identificadas, o Ro encontra-se a trabalhar com um novo plano de intervenção. Neste momento e dado as diferenças, positivas, registadas, achamos oportuno apresentar o Quadro 3 de comportamentos adaptativos.

 

Comportamentos adaptativos 2001/2002

 

Domínios

Características

Estimulação Global

Não reage aos estímulos visuais, pois sofre de cegueira congénita.

Raramente move o corpo em resposta a um som.

Raramente reage à voz humana e quando reage, por vezes, fá-lo de uma forma negativa, com emissão de sons guturais e auto-agressões.

Reage positivamente à música esboçando sorriso e demonstrando um estado de acalmia.

É sensível ao toque em várias partes do seu corpo, mas de forma negativa, auto-agredindo-se.

Não agarra os objectos colocados nas suas mãos.

Não manipula objectos.

Não reage aos cheiros intensos.

Autonomia Pessoal

Não pede alimentos ou cuidados por nenhum tipo de linguagem, sendo totalmente dependente de terceiros para a satisfação das necessidades básicas de sobrevivência.

Ingere líquidos ou alimentos dados por um terceiro, na boca, e não utiliza os braços para se alimentar.

Mastiga os alimentos sólidos, desde que possuam consistência suave.

Não controla os esfíncteres.

Não se veste nem despe sozinho.

 

Motricidade global

Levanta e segura a cabeça e tronco, quando puxado para a posição de sentado.

Mantém-se sentado sem apoio por momentos.

Senta-se a partir da posição de deitado.

Não fica de pé sem apoio.

Não engatinha.

Não passa da posição de sentado para a posição de pé sem apoio.

Não anda.

Não se senta numa cadeira.

Não segura objecto.

Não desenvolveu a motricidade fina.

 

Comunicação

Raramente reage a vozes familiares, quando o faz é na maior parte dos casos de forma negativa, emitindo sons gestuais enquanto se auto-agride.

Reage poucas vezes ao seu nome.

Não fala e apenas emite sons.

Emite sons indiferenciados para desconfortos específicos.

 

Socialização

Reage negativamente ou não reage ao contacto com os seus pares e adultos.

Não sorri em resposta à atenção dos adultos.

Não emite sons ou vocaliza para chamar a atenção de um adulto ou de um par no contexto de interacção social.

Auto-estimula-se com agressões nas várias partes do corpo.

 

Cognição

Não manipula objectos.

Não tem noção da localização dos objectos.

Não adquiriu a noção de tamanho, forma ou peso.

Não identifica o próprio corpo.

Não identifica o meio que o envolve.

Não tem noção espácio-temporal.

Não adquiriu competências simbólicas nem académicas.

Não se ocupa de forma lúdica.

Quadro 4 – Comportamentos adaptativos estabelecidos pela Santa Casa da Misericórdia.