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educação diferente

Projecto da responsabilidade da apie - Associação Portuguesa de Investigação Educacional - Educação Especial e Deficiência.

educação diferente

Projecto da responsabilidade da apie - Associação Portuguesa de Investigação Educacional - Educação Especial e Deficiência.

SXF

O SXF enquadra-se num conjunto designado por Perturbações globais do desenvolvimento não autistas, traduzindo uma condição cromossomática relacionada com uma fragilidade na cadeia do cromossoma X. A prevalência dos sintomas é, por razões de constituição cromossomática, bastante mais frequente entre os indivíduos de sexo masculino, podendo as mulheres ser apenas afectadas por dificuldades ligeiras ou até mesmo serem transmissoras silenciosas da mutação ou pré-mutação em causa.

Os sintomas, na maior parte dos indivíduos afectados pelo SXF, podem cruzar-se com algumas características dos quadros de TDAH, Autismo, Síndrome de Asperger ou PGD.

 Quanto às características associadas à SXF, identificam-se aspectos físicos, cognitivos e emocionais. Fisicamente, os indivíduos afectados apresentam face alongada com uma leve projecção da mandíbula para a frente (prognatismo), região frontal protuberante, hipotonia, orelhas grandes e de baixa implantação, macroorquidismo (aumento do tamanho dos testículos em 80 por cento dos casos do sexo masculino), anomalias electroencefalográficas.

Relativamente ao domínio emocional e cognitivo - funções de apreensão, retenção, processamento, linguagem expressiva e receptiva-, registaram-se:

 - Dificuldades no aparecimento da linguagem:

(fala rápida; dispraxia oral; difícil relação semântica - temporal, sequencial, em relação a conceitos e inferências-; sintaxe reservada; bom senso de humor; elevado tom de voz; facilidade na imitação de sons; ritmo desordenado)

 - Dificuldades na gestão de comportamentos e emoções;

 - Padrão de personalidade retraída e olhar evasivo;

 - Onicofagia (roer as unhas) desde muito cedo;

 - Graves dificuldades de concentração e sustentação da atenção;

- Mutismo, indiferença pelas relações interpessoais e actos repetitivos sem sentido;

 - Atraso cognitivo, de leve a profundo;

 - Dificuldade no raciocínio e resolução de problemas, pelo que a aprendizagem deve privilegiar a estimulação visual;

- Dificuldade na adequação emocional e comportamental, com frequentes situações de birra; - - Oscilação do humor e momentos de agressividade (mais frequentemente registados em meninos), que prevalece nos pacientes adolescentes e adultos jovens, incluindo aqui também as meninas;

- Dificuldade em acomodar situações novas, podendo apresentar episódios de ansiedade e ataques de pânico.

Nos casos em que se verificam traços autistas ou próprios de um quadro de PGD, observa-se ainda um tom de voz com entoação ascendente, ecolalia, abanar das mãos, dificuldades no contacto ocular e na interacção social (embora menos severos que nos casos de autismo).

            A intervenção com crianças que apresentem esta problemática, deverá sempre, tal como acontece com todas as restantes, partir de uma avaliação global e interdisciplinar do perfil de funcionalidade apresentado (por técnicos das áreas da saúde, da psicomotricidade, da psicologia, da educação), articulando actuações no sentido de estimular as funções e as competências da criança, numa lógica de espiral, e interrelacionando-se as diversas áreas de intervenção.


Carla Macheta Ferreira