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educação diferente

Projecto da responsabilidade da apie - Associação Portuguesa de Investigação Educacional - Educação Especial e Deficiência.

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Projecto da responsabilidade da apie - Associação Portuguesa de Investigação Educacional - Educação Especial e Deficiência.

Brasil

O QUE É A SURDO-CEGUEIRA

 

O termo surdo-cego designa as pessoas afetadas por deficiências de visão e audição simultaneamente, em que um desses sentidos não pode substituir o outro

O portador de surdo-cegueira não pode ser assemelhado nem a um surdo nem a um cego, pois constitui um caso bastante particular. São distinguíveis quatro graus de surdo-cegueira:

- existência de um resíduo auditivo e de um resíduo visual

- surdez total e resíduo visual

- resíduo auditivo e cegueira total

- surdez e cegueira totais

 

Principais causas da surdo-cegueira:

O grupo mais numeroso de surdocegos é composto por pessoas com 65 anos ou ainda mais idosas, que adquiriram a deficiência sensorial tardiamente. As causas da surdo-cegueira podem ser acidentes graves; a condição genética do síndrome de Usher (as manifestações clínicas desta síndrome incluem a surdez, que se manifesta logo no início da vida e a perda visual que ocorre, geralmente, mais tarde) e surdo-cegueira congênita resultante de doenças como a rubéola ou de nascimentos prematuros.

 

Comunicação com o portador de surdo-cegueira:

Os surdo-cegos possuem diversas formas para se comunicar com as outras pessoas. A LIBRAS, Língua Brasileira de Sinais, desenvolvida para a educação dos portadores de deficiência auditiva, pode ser adaptada aos surdo-cegos utilizando-se o tato. Colocando a mão sobre a boca e o pescoço de um intérprete, o portador de surdo-cegueira pode sentir a vibração de sua voz e entender o que está sendo dito, esse método de comunicação é chamado de tadoma. Também é possível para o surdo-cego escrever na mão de seu intérprete utilizando um alfabeto manual ou redigir suas mensagens em sistema braille, língua formada de pontos em relevo criada para a comunicação dos portadores de deficiência visual. Existe ainda o alfabeto moon, que substitui as letras por desenhos em relevo e o sistema pictográfico, que usa símbolos e figuras para designar os objetos e ações.

 

Língua de Sinais

Método criado no século XVIII pelo abade Michel de L'Epée, o primeiro a considerar a linguagem gestual como a língua natural dos surdos. Consiste em uma forma de comunicação construída no espaço através de movimentos das mãos em diferentes configurações e pontos de contato no corpo.

 

Alfabeto manual

A invenção do alfabeto manual ou alfabeto datilológico é atribuída a alguns monges da Idade Média que fizeram o voto de silêncio. Estruturado e adotado oficialmente na França, no Século XVIII, para a educação do surdo, foi mais tarde adaptado para o surdo-cego por educadores ingleses e americanos. Consiste em fazer, com a mão direita, um sistema de signos sobre a palma do interlocutor. São variados os códigos adotados nesse procedimento; a forma mais usual é aquela onde cada letra é representada pelas diferentes posições dos dedos e da mão.

 

Tadoma

Método de linguagem receptiva onde a pessoa surda-cega, através do tato, decodifica a fala do seu interlocutor. Consiste em colocar a mão no rosto do locutor de tal forma que o polegar toque, suavemente, seu lábio inferior e os outros dedos pressionem, levemente, as cordas vocais. Este procedimento possibilita a interpretação da emissão dos sons através do movimento dos lábios e da vibração das cordas vocais.

 

Sistema Braille

Sistema de escrita e leitura tátil criado por Louis Braille, em 1824. Ainda aluno da "Instituition des Jeunes Aveugles", em Paris, o jovem cego Louis inspirado na "grafia sonora", idealizada pelo Capitão de Artilharia Carlos Barbier de la Serre, inventou o Sistema, ainda hoje utilizado, com pequenas modificações, em todo o mundo. Consiste no arranjo de seis pontos em relevo, dispostos em duas colunas de três pontos. As diferentes posições desses seis pontos permitem a representação de todas as letras do alfabeto, dos sinais de pontuação, dos símbolos da matemática, da música e outros.

 

 

 

Como se comunicar com um portador de surdocegueira:

- Ao aproximar-se de um surdocego deixe que ele perceba sua presença com um simples toque.

- Qualquer que seja o meio de comunicação adotado faça-o gentilmente.

- Combine com ele um sinal para que ele o identifique.

- Aprenda e use o método de comunicação que ele souber, mesmo que elementar.

- Se houver um método mais adequado que lhe possa ser útil, ajude-o a aprender.

- Tenha a certeza de que ele o está percebendo.

- Encoraje-o a usar a fala se ele conseguir, mesmo que ele saiba apenas algumas palavras.

- Se estiverem outras pessoas presentes, avise-o quando for apropriado para ele falar.

- Avise-o sempre do que o rodeia.

- Informe-o quando sair, mesmo que seja por um curto espaço de tempo. Assegure-se que fica confortável e em segurança. Se ele precisar de algo para se apoiar durante a sua ausência, coloque a mão dele no que servirá de apoio. Nunca o deixe sozinho num ambiente que não lhe seja familiar.

- Mantenha-se próximo dele para que ele se aperceba da sua presença.

- Ao andar deixe-o apoiar-se no braço, nunca o empurre à sua frente.

- Utilize sinais simples para o avisar da presença de escadas, uma porta ou um carro.

- Um surdocego que esteja a apoiar-se no seu braço perceberá qualquer mudança no seu andar.

- Escreva devagar na palma da mão do surdocego utilizando as letras de forma do alfabeto manual.

 

Com a colaboração: Rede SACI - USP Legal

Web: http://saci.org.br/