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educação diferente

Projecto da responsabilidade da apie - Associação Portuguesa de Investigação Educacional - Educação Especial e Deficiência.

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Projecto da responsabilidade da apie - Associação Portuguesa de Investigação Educacional - Educação Especial e Deficiência.

BRASIL

Tecnologia tem muito a ver com saúde

Não há dúvida que o homem moderno está mais sedentário. Junte-se a isso uma má alimentação devida à vida corrida e à ingestão de produtos industrializados e se tem um cenário perfeito para sobrepeso, causa quase infalível de doenças cardíacas, hipertensão, colesterol, diabetes etc. Infelizmente, com este que vos escreve, não foi diferente. Exames de rotina atestaram que meu índice de glicemia já estava passando do limite considerado normal. Procurei um endocrinologista e iniciei uma mudança de hábitos alimentares que me mostraram quão verdadeira é a máxima “o peixe morre pela boca”. Um dos “remédios” recomendados pelo doutor foi a realização de exercícios físicos diários. Lendo sobre o assunto em sites e blogs, descobri que para “queimar” gordura, o ideal é, durante a prática do exercício, manter entre 55% e 75% de nossa frequência cardíaca máxima. Esta minha explicação é tosca, afinal, não sou professor de educação física e nem entendo nada disso, mas fiquei com o seguinte dilema: como, sendo cego, farei tal controle com independência? Como sou preguiçoso, não me animei a frequentar uma academia. Optei por adquirir um elíptico (simulador de caminhada sem impacto). Atualmente, todos esses equipamentos informam distância percorrida, quantidade de calorias perdidas, frequência cardíaca etc. Mas a tela onde as informações são apresentadas não oferece acessibilidade a uma pessoa cega. Foi então que descobri que no mundo dos smartphones estava a solução. Já é possível, usando um dispositivo Android ou iOS, baixar gratuitamente aplicativos. Por meio dos sensores e GPS encontrados nos aparelhos mais modernos, capturam-se as mesmas informações obtidas pelos equipamentos de ginástica das academias, com a vantagem que esses smartphones permitem o uso de leitores de tela, garantindo acesso às informações. Descobri também ser possível adquirir monitores cardíacos que se comunicam com os smartphones por bluetooth. Trata-se de uma cinta elástica com um pequeno aparelho. Através dos seus sensores, que devem ficar em contato com o corpo na altura do peito, os batimentos cardíacos são capturados. Estes, por bluetooth, são enviados ao smartphone. O aplicativo para fitness recebe e trata as informações, calculando a média da frequência cardíaca. Por meio do GPS, indica velocidade e distância para quem faz exercícios em lugares abertos, corrida, por exemplo. Ligados à internet, tais aplicativos armazenam seus dados no site do fabricante, e por meio de usuário e senha criados durante a instalação, permitem receber plano de exercícios, compartilhar os resultados com amigos cadastrados no mesmo site, ou mesmo postá-los nas redes sociais, incluindo fotos tiradas durante o percurso da caminhada ou corrida. Alguns até permitem comunicação de voz, servindo para receber orientações de personal trainers ou troca de experiências. São verdadeiras redes sociais. Alguns aplicativos famosos, como Runkeeper, Micoach, Polar Beat, chegam a ultrapassar um milhão de cadastrados pelo mundo. O mais interessante para uma pessoa cega é que, em boa parte dos aplicativos, pode-se customizar quais informações serão faladas automaticamente. Como estou usando um elíptico, dentro de casa, desativo o GPS e desmarco a informação de velocidade e distância. Peço para me informar o tempo e a frequência cardíaca, afinal, estou usando um monitor. Com isso, tenho certeza que não estou ultrapassando os limites. O mundo do fitness está crescendo dia por dia. As pessoas estão se conscientizando que uma boa alimentação aliada à prática de atividades físicas diminui significativamente o aparecimento de doenças e melhoram a qualidade de vida. Portanto, não espere o médico lhe puxar a orelha. Tome uma providência enquanto é tempo.

 

Associação de Deficientes Visuais e Amigos

http://www.adeva.org.br/