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educação diferente

EDUCAÇÃO, SOCIEDADE E DEFICIÊNCIA

educação diferente

EDUCAÇÃO, SOCIEDADE E DEFICIÊNCIA

A braços com a Loucura. Ou melhor... Ensaiando

XLV

A maioria dos alunos existentes… Experimentavam uma imensa variedade de medicamentos… Drogas e outras substâncias...

As terapêuticas prescritas pelos médicos… Raramente tinham um carácter curativo… A maioria… Serviam para controlar crises epilépticas… O stress ou ansiedade… A hiperactividade e o funcionamento dos órgãos… Enfim… Todos no sentido de melhorar a concentração e a atenção… Outros para dar apetite ou combater as diabetes… A obesidade e outras complicações...

Alunos como Carrapito… Samuel ou Virgílio… E outros… Tomavam medicamentos para aumentar a capacidade de atenção e a hiperactividade...

Consequentemente… E porque os tomavam… Apresentavam sinais e sintomas que também os prejudicavam... Como a falta de apetite e as dores de cabeça... Os tremores e as mãos húmidas... Taquicardia...  Ou melhor... Frequência cardíaca alta ou irregular... Boca seca... Ansiedade... Entre outros...

Os alunos que tinham crises epilépticas… Tomavam medicação para diminuir as descargas eléctricas cerebrais... As tais... Geradoras das crises... Como Raquel… Angela e Ilda… Ou os mais limitados e com maiores necessidades… Miguel e Rafael… Salvador… Bento e Ruben... Todos da sala de estimulação global I...

Para além de todas as drogas que introduziam nos seus corpos… Tinham consultas regulares para ajustar a medicação... Ou para vigiar os efeitos colaterais...

Os alunos com trissomia… Como Cristina… Bebé… Filipe ou Bruninho… Também tomavam grandes doses de medicação… Todos muito próprios e destinados a colmatar alguma situação específica… Porém de influência semelhante…

Naquela escola havia de tudo um pouco... Várias situações terapêuticas... Fármacos como a atropina... Um alcalóide que funciona como antagonista e que minimiza a acção da acetilcolina... Um neurotransmissor que desempenha um papel importante no sistema nervoso central...

Outros... Tinham como função interromper o quadro convulsivo... Assim como... Auxiliar no tratamento ou atenuação e alguns problemas permanentes... Para... Pelo menos... Melhorar a qualidade de vida... Ainda que... Causassem alucinações e confusão mental... Sonolência... Convulsões… Mal estar geral ou influenciarem o sistema imunológico... 

Para alguns alunos como Zé… O objectivo da terapêutica... Prendia-se com o tratamento de distúrbios comportamentais e de personalidade... De problemas de negativismo e de desinteresse... Indiferença... Impulsividade... Irritabilidade... Agressividade e até problemas psicomotores...

De uma forma geral... No autismo e asperger... Os medicamentos servem para abreviar o impacto causado pelos sintomas como a ansiedade... Hiperactividade... Depressão e todos os que são inerentes aos transtornos obsessivo compulsivos...

Os fármacos eram todos diferentes... De tamanho... De cor e formato... Em comprimido ou xarope... Todavia... Todos faziam bem e mal ao mesmo tempo...

Por exemplo… Para síndromes e problemáticas... Como o x frágil...  Poderão funcionar como estimulantes e inibidores selectivos da recaptação da serotina... Para tratar a depressão... Ou transtornos de ansiedade e de personalidade...

Carrapito conhecia-os pela cor e Samuel pelo tamanho... Associavam-nos facilmente às horas ou ao momento do dia...

Este também era um trabalho quase constante dos técnicos... Orientar e vigiar a ingestão dos medicamentos... Para isso... Faziam-se mapas... Onde se registavam os nomes... Os fármacos... As horas e a toma destes... Fossem para insuficiências vitamínicas… Neuroprotectores ou estabilizantes de humor... Problemas intestinais ou respiratórios...

Pedro foi descobrindo que existiam imensos... Completamente distintos... Às vezes era o mesmo que servia para intervir em situações diferentes... Como os antipsicóticos para tratar a esquizofrenia ou diminuir a agressividade... Os antidepressivos para controlar a ansiedade... Mas também a depressão e os transtornos obsessivo compulsivos...

Enfim... Uma imensidade que não tinha fim... Estimulantes para diminuir os sintomas da hiperatividade e da impulsividade... Neurolépticos para reduzir alguns sintomas do autismo... Ou... Os anti opióides para tranquilizar ou minimizar todos os mencionados anteriormente...

As reacções adversas da medicação... Isto é... Os efeitos após a sua administração... São enormes e prejudiciais à saúde...

A grande maioria dos alunos traziam recomendações que vinham de casa... Centro de saúde ou hospital… Para recordar as dosagens e horários da medicação… Ou até com indicações de novos acertos ou rectificações...

Sempre que se reuniam condições... Promovia-se a autonomia dos discentes... Alguns como Ramos… Samuel… Sara e até mesmo Virgílio ou Teófilo… Conheciam e cumpriam sem problemas essa rotina...

A restante maioria… Contava com o zelo e a atenção da maioria dos funcionários… Como Júlia… Martinha e outros mais...

Por isso... Em cada sala... Existia um mapa com todas os esclarecimentos necessários ao bom funcionamento da administração dos fármacos...

Na sala de estimulação global I e II… Criou-se um caderno de anotações… Um meio de comunicação entre a casa dos alunos e a escola… Com apontamentos e relatórios do dia… Factos importantes... Acontecimentos de relevo e informações acerca da terapêutica realizada...

Nas sessões de Pedro e Júlia... Dirigidas aos pais... Abordava-se quase sempre este assunto... Alguns pais confidenciaram que nem sempre davam a medicação necessária... Uns por apresentarem dificuldades financeiras e outros pela razão de conhecerem os efeitos secundários...

Nessa altura... O professor descobriu que muitos deles procuravam alternativas na medicina natural... Muitas vezes... Por sugestão médica... Argumentando que... Os seus filhos já tomavam demasiadas substâncias nocivas para a saúde... Enfim... Uma forma de corrigir a destruição e o enfraquecimento causados pelo excesso de medicamentos...

António Pedro Santos

(Continua)...