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educação diferente

EDUCAÇÃO, SOCIEDADE E DEFICIÊNCIA

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EDUCAÇÃO, SOCIEDADE E DEFICIÊNCIA

Adaptações não significativas do currículo - Brasil

As Adaptações Não Significativas do Currículo são importantes como medidas preventivas levando o aluno a aprender os conteúdos curriculares de maneira mais ajustada as suas condições individuais, para prosseguir na sua carreira acadêmica, evitando-se seu afastamento da escola regular.

Organizativas
- organização de agrupamentos
- organização didática
- organização do espaço

Relativas aos objetivos e conteúdos
- priorização de áreas ou unidades de conteúdos
- priorização de tipos de conteúdos
- priorização de objetivos
- sequenciação 
- eliminação de conteúdos secundários

Avaliativas
- adaptação de técnicas e instrumentos
- modificação de técnicas e instrumentos

Nos procedimentos didáticos e nas atividades
- modificação de procedimentos
- introdução de atividades alternativas às previstas
- introdução de atividades complementares às previstas
- modificação do nível de complexidade das atividades
- eliminando componentes
- sequenciando a tarefa
- facilitando planos de ação
- adaptação dos materiais
- modificação da seleção dos materiais previstos

Na temporalidade
- Modificação da temporalidade para determinados objetivos e conteúdos previstos
Fonte: Manjón, op. cit., 1995, p. 89

As adaptações organizativas têm um caráter facilitador do processo de ensino-aprendizagem e dizem respeito:
• ao tipo de agrupamento de alunos para a realização das atividades de ensino-aprendizagem;
• à organização didática da aula - propõe conteúdos e objetivos de interesse do aluno ou diversificados, para atender as suas necessidades especiais, bem como disposição física de mobiliários, de materiais didáticos e de espaço disponíveis para trabalhos diversos;
• à organização dos períodos definidos para o desenvolvimento das atividades previstas - propõe previsão de tempo diversificada para desenvolver os diferentes elementos do currículo na sala de aula.

As adaptações relativas aos objetivos e conteúdos dizem respeito:
• à priorização de áreas ou unidades de conteúdos que garantam funcionalidade e que sejam essenciais e instrumentais para as aprendizagens posteriores. Ex: habilidades de leitura e escrita, cálculos etc.;
• à priorização de objetivos que enfatizam capacidades e habilidades básicas de atenção, participação e adaptabilidade do aluno. Exemplos:
Desenvolvimento de habilidades sociais, de trabalho em equipe, de persistência na tarefa etc.;
• à sequenciação pormenorizada de conteúdos que requeiram processos gradativos de menor à maior complexidade das tarefas, atendendo uma sequência de passos, à ordenação da aprendizagem etc.;
• ao reforço da aprendizagem e à retomada de determinados conteúdos para garantir o seu domínio e a sua consolidação;
• à eliminação de conteúdos menos relevantes, secundários para dar enfoque mais intensivo e prolongado a conteúdos considerados básicos e essenciais no currículo.
As adaptações avaliativas dizem respeito:
• à seleção das técnicas e instrumentos utilizados para avaliar o aluno. Propõem modificações sensíveis na forma de apresentação das técnicas e dos instrumentos de avaliação, a sua linguagem, de um modo diferente dos demais alunos de modo que atenda às peculiaridades dos que apresentam necessidades especiais.

As adaptações nos procedimentos didáticos e nas atividades de ensino-aprendizagem referem-se ao como ensinar os componentes curriculares. Dizem respeito:
• à alteração nos métodos definidos para o ensino dos conteúdos curriculares;
• à seleção de um método mais acessível para o aluno;
• à introdução de atividades complementares que requeiram habilidades diferentes ou a fixação e consolidação de conhecimentos já ministrados - utilizadas para reforçar ou apoiar o aluno, oferecer oportunidades de prática suplementar ou aprofundamento. São facilitadas pelos trabalhos diversificados, que se realizam no mesmo segmento temporal;
• à introdução de atividades prévias que preparam o aluno para novas aprendizagens;
• à introdução de atividades alternativas, além das planejadas para a turma, enquanto os demais colegas realizam outras atividades. É indicada nas atividades mais complexas que exigem uma sequenciação de tarefas;
• à alteração do nível de abstração de uma atividade oferecendo recursos de apoio, sejam visuais, auditivos, gráficos, materiais manipulativos etc.;
• à alteração do nível de complexidade das atividades por meio de recursos do tipo: eliminar partes de seus componentes (simplificar um problema matemático, excluindo a necessidade de alguns cálculos, é um exemplo); ou explicitar os passos que devem ser seguidos para orientar a solução da tarefa, ou seja, oferecer apoio, especificando passo a passo a sua realização;
• à alteração na seleção de materiais e adaptação de materiais - uso de máquina braille para o aluno cego, calculadoras científicas para alunos com altas habilidades/superdotados etc.
As adaptações na temporalidade dizem respeito:
• à alteração no tempo previsto para a realização das atividades ou conteúdos;
• ao período para alcançar determinados objetivos.

Muitas vezes, há necessidade de adotar adaptações significativas do currículo para atender às necessidades especiais dos alunos, quando estas forem mais acentuadas e não se solucionarem com medidas curriculares menos significativas.
De um modo geral constituem estratégias necessárias quando os alunos apresentam sérias dificuldades para aprender, como resultado, entre outros fatores:
• da defasagem entre a sua competência curricular e a de seus colegas;
• da discrepância entre as suas necessidades e as demandas das atividades e expectativas escolares;
• da crescente complexidade das atividades acadêmicas que vai se ampliando, na medida do avanço na escolarização.

O que se almeja é a busca de soluções para as necessidades específicas do aluno e, não, o fracasso na viabilização do processo de ensino-aprendizagem. As demandas escolares precisam ser ajustadas, para favorecer a inclusão do aluno. É importante observar que as adaptações focalizam as capacidades, o potencial, a zona de desenvolvimento proximal (nos termos de Vygotsky) e não se centralizam nas deficiências e limitações do aluno, como tradicionalmente ocorria.

Embora muitos educadores possam interpretar essas medidas como “abrir mão” da qualidade do ensino ou empobrecer as expectativas educacionais, essas decisões curriculares podem ser as únicas alternativas possíveis para os alunos que apresentam necessidades especiais como forma de evitar a sua exclusão.