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educação diferente

Projecto da responsabilidade da apie - Associação Portuguesa de Investigação Educacional - Educação Especial e Deficiência.

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Projecto da responsabilidade da apie - Associação Portuguesa de Investigação Educacional - Educação Especial e Deficiência.

Educação Especial e Teoria Histórico-Cultural: Contribuições para o Desenvolvimento Humano

Educação Especial e Teoria Histórico-Cultural: Contribuições para o Desenvolvimento Humano

O desporto adaptado no processo de inclusão da pessoa em condição de deficiência física: o caso do basquetebol sobre rodas

Introdução

Desde muito tempo, a Deficiência Física tem levado pessoas a se isolar, parcialmente ou totalmente do convívio na sociedade. O resultado está no desinteresse entre os indivíduos de praticar quaisquer que sejam as atividades do dia-a-dia ou Esportivas. Sem essas potencialidades desenvolvidas as PCD física parecem cair no esquecimento, prejudicando a si mesmos. Esse isolamento é resultado de diversas configurações, tais quais: olhar de rejeição daqueles que não possuem deficiência; ação da própria família por excesso de cuidado ou vergonha, que leva a manter a PCD isolada dentro de casa; leis que no intuito de “proteger”, determinavam internação total ou parcial, entre outros.

O esporte em si destaca-se por diversos fatores: sociais, financeiros, físicos, emocionais entre outros. A prática deste se coliga principalmente na satisfação do indivíduo em conseguir a habilidade e saber dominá-lo. Entre os esportes mais destacados estão o Futebol, Voleibol, Handebol, Basquetebol e Natação. O que entra em questão é a possibilidade da Pessoa em Condição de Deficiência Física (PCDF) praticar estes esportes. Para este tipo de trabalho foi criado o Desporto Adaptado no Brasil. Surgiram atletas de destaque em olimpíadas mundiais, mostrando que há possibilidades através do Esporte Adaptado, podendo tornar atletas, pessoas em condição de Deficiência Física.

Hoje, com uma legislação que busca corrigir o passado próximo, as PCD têm estado em um convívio social mais amplo. Isto possibilita que, entre os outros, essas pessoas entrem em conato com o “esporte”, o que para muitos provoca uma mudança extraordinária – deixam de ser tratados como “doentes” e passam a ser vistos como atletas.

De acordo com Araújo e Ribeiro (2004), desde 1980, pode-se observar, no Brasil, a possibilidade de amplitude no atendimento em relação às pessoas com necessidades especiais nas atividades Físicas por meio do Desporto. É possível apontar possibilidades em relação à continuação do processo de desenvolvimento do Desporto Adaptado no Brasil. As ações governamentais buscam hoje, apoiar o D. A., no entanto, também é possível afirmar que este ainda não é considerado um investimento “lucrativo”, porque o “retorno” ainda não é de alto vulto, segundo as agências e de empresas de fomento, Araújo (1998, p.21) diz:

Somente nos últimos dez anos o governo federal passou a se preocupar com este segmento. Neste período, ocorreu uma série de ações, através de decretos, portarias e realizações voltadas para o desporto adaptado, que se tornou preocupação do governo. Este período é compreendido por nós como processo de institucionalização do desporto adaptado brasileiro.

A elaboração deste projeto ganha peso e os profissionais que atuar com atividades físicas conseguem ter base devido à inclusão nos currículos em cursos de graduação, ou seja, mais expansão do Desporto Adaptado para ser produzido entre Pessoas com Deficiência Física em diversas regiões.

Neste período de institucionalização acontece, por exemplo, a 03/87 – que aconselha, sugere a inserção, nos cursos superiores, de disciplinas que abordem a PCD. Dessa forma os assuntos relacionados à PCD chegam como conteúdos nas disciplinas acadêmicas, o que tem possibilitado um maior conhecimento. Em 2001 houve a obrigatoriedade de todos os cursos superiores terem disciplinas específicas sobre deficiência. Isto tem favorecido a formação de profissionais voltados para a D.A., por exemplo.

Dentre as atividades propostas para os Jogos profissionais onde atletas representam a nação, existe uma seleção de esportes, sendo eles: Bocha, Ciclismo, Esgrima, Futebol de Cinco, Futebol de Sete, Goalball, Halterofilismo, Hipismo, Judô, Natação, Remo, Rúgbi em Cadeiras de Rodas, Tênis em Cadeiras de Rodas, Tênis de Mesa, Tiro, Tiro ao Arco, Vela, Voleibol. Neste trabalho de pesquisa estar-se-a privilegiando o Basquete em Cadeiras de Rodas por ser uma modalidade que mais vem se destacando nas últimas competições internacionais. A revisão de literatura utilizada como metodologia de pesquisa trará informações sobre o basquetebol para cadeirantes tal como sua história, conquistas, fundamentos do jogo e principal a inclusão dos praticantes no meio esportivo os ajudando em sua socialização.

Não é mais raridade encontrar pessoas com necessidades especiais realizando diversas modalidades esportivas. Sua força de vontade faz com que consigam superar todos os seus limites e isso é um dos primeiros passos para ser um vencedor. Seabra Jr. (2006) afirma que deve-se abordar a inclusão destas pessoas e refletir que esta opção nos remete a uma série de abordagens e cada uma delas pode alcaçar uma população diferente. Assim o presente trabalho buscou identificar e refletir acerca dos de maneiras possíveis para o ingresso de PCDF no meio esportivo.

1.     Deficiencia + Atividade Física

A prática de atividades físicas, por meio de quaisquer indivíduos torna-se importantíssima para sua qualidade de vida e auto-estima. Os esportes por meio de seus participantes acabam destacando seus grandes jogadores por seus talentos, jogadas brilhantes, inclusive seus corpos perfeitos. Ao pensar no desempenho que esses jogadores adquirem através de sua vida é possível perguntar, será que um deficiente físico tem a mesma capacidade de desempenhar-se e desatacar através dos esportes? Segundo Araujo, Almeida e Itani (2004) o grau de deficiência de um indivíduo não é uma impossibilidade para realizar o esporte, muito menos o impossibilita de praticá-lo. A questão é que as dificuldades que esta população enfrenta como falta de locais apropriados; transportes adaptados; oportunidades no meio social; acesso a equipamentos adequados; profissionais adequados e principalmente falta de políticas públicas dificulta e reprime os que desejam realizar sua atividade, independente de suas necessidades especiais. Já Seabra Jr. (2006) afirma que o necessário para que um PCDF pratique o esporte é vivenciar, experimentar, aprender o movimento, sendo qualquer que seja seu grau de amplitude, intensidade ou faixa etária. Assim poderá sentir-se vivo, valorizado, integrado, tendo sua auto-estima e individualidade preservadas e validadas.

Existem algumas áreas profissionais do Esporte Adaptado no Brasil e no mundo onde atletas com necessidades especiais atuam de maneira espetacular e constituem um destaque dentre a sociedade, mostrando que realmente fazem a diferença sendo diferentes. O Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB) cita as modalidades possíveis para PCDF, sendo elas basquetebol em cadeiras de roda, Bocha, Ciclismo, Esgrima, Futebol de cinco, Futebol de sete, Goalball, Halterofilismo, Hipismo, Judô, Natação, Remo, Rúgbi em Cadeiras de Rodas, Tênis em Cadeiras de Rodas, Tênis de Mesa, Tiro, Tiro com Arco, Vela, Voleibol. Demarcaremos os principais esportes, para que exista uma compreensão maior de suas metodologias, partes práticas e aplicabilidades no meio. Para Araujo (2004) ainda está em jogo o esporte para o atleta que busca segmentos em meios de comunicação, sociedade e reconhecimento do cidadão atleta, sendo constatada a superação das dificuldades impostas pelas limitações decorrentes da deficiência.

Contudo, a análise destes esportes nos sujeitará a uma reflexão e diminuirá a incerteza de que realmente o Desporto Adaptado pode ser de grande auxílio para os PCDF, pois os que estão nestas modalidades tornaram-se vencedores, isso os motiva através de seu esforço e dedicação demonstrados a cada treino e jogo.

2.    O desporto adaptado no Brasil e a deficiência física

De acordo com Araújo (1998, p.11):

O Desporto Adaptado no Brasil desenvolve-se dentro de uma estrutura diferenciada daquela em que se desenvolve o desporto para as pessoas ditas ‘normais’. Este último pode ser organizado e dirigido por qualquer grupo de pessoas com interesse em alguma modalidade esportiva, mediante a constituição de um clube, o que possibilitará a participação em eventos nos mais diferentes níveis. Já o desporto para pessoas portadoras de Deficiência organiza dentro de uma estrutura diferente da estabelecida pelo desporto dos não portadores de Deficiência.

    Para o PCDF o Desporto Adaptado pode se tornar de grande ajuda, em sua reabilitação, força física e mental; a possível inclusão dentro de uma sociedade onde para alguns seria impossível conseguir alcançar, ganhar espaço. Toda essa Preocupação com a reabilitação e reinserção da PCD começa após a segunda guerra mundial, onde governantes deram origem a diversos serviços de reabilitação para soldados lesados. O Desporto adaptado nasce com este contexto nos Estados Unidos da América e Europa. Influenciado pelos outros países o Brasil implementa e segue a mesma regra, criando clubes de Esporte Adaptado (ARAÚJO, 1998). Com sua criação em 1975, no Rio de janeiro, o Comitê Paraolímpico Brasileiro (2008) coordenado pelo professor Aldo Miccolis (criador da Associação Nacional de Desporto para deficientes - ANDE), teve como principal objetivo conciliar os esportes praticados pelos atletas para todo o tipo de deficiência. Com o passar do tempo as modalidades foram categorizadas. Foi criada a Associação Brasileira de Desporto para Amputados (ABDA, 1998), a Associação Brasileira de Desporto para Cegos (ABDC, 1984), Associação Brasileira de Deficientes Mentais (ABDEM, 1989) e a Confederação Brasileira de Surdos (CBDS, 1997).

Para Gorla e Araújo (2007) a pessoa que é portadora de deficiência, sofre uma perda ou diminuição de adaptabilidade provocadas por um dano, seja de caráter, certas capacidades, apresentando problemas corporais, equilíbrio, agilidade, força entre outros que podem ser considerados patologias e devem ser trabalhadas diferencialmente de acordo com seu respectivo problema.

A importância dada a PCDF se sobressai à medida que a procura se torna cada vez maior. Para toda e qualquer deficiência já existem projetos em ONGs especializadas, clubes e escolas por onde são treinados a praticar os esportes, trabalhando diversas patologias e podendo reconstruir ou construir o que está interrompido. Assim, as orientações sobre as possíveis modalidades esportivas devem nutrir-se nestes conhecimentos. Para cada modalidade hoje no Brasil existem diferentes equipes e organizações como as equipes de Natação, Basquete, Futebol entre outros. Para nós a que se destaca é a Confederação de Basquete sobre Cadeiras de Rodas, criada no estado de São Paulo, na cidade de Campinas pelo Prof. Dr. Paulo Ferreira de Araújo da UNICAMP que proporcionou aos Cadeirantes entrar em campeonatos e torneios pelo Brasil e mundo á fora. A importância dada pelas instituições governamentais PCDF ainda são precárias, contudo já desenvolve um trabalho. Todavia o atleta em condição de Deficiência ainda precisa ser visto como os demais atletas. Portanto, as ações devem ganhar mais apoio com relação ás direcionadas aos atletas sem a condição de Deficiência. Assim reforça Silva et al (2008, p.165):

As Necessidades Educativas Especiais não devem transmitir a idéia ou ser associada exclusivamente a deficiência. A nosso ver, necessidades especiais ou educativas especiais podem ser entendidas como ações ou situações que caracterizam desvantagem do indivíduo, temporária ou permanente, causada pela diferença entre seu desempenho, e por outro lado focalizar as diferenças.

Portanto, grandes atletas que vimos e ouvimos foram vencedores graças à perseverança de grupos, academias, ONGs, clubes que acreditaram em seus potenciais embora sua deficiência, instituições, grupos que estivera lado a lado se importando com sua dificuldade, e menos por ações governamentais; pois o auxílio que um atleta paraolímpico recebe é menor do que um atleta olímpico. Este é tratado como atleta o tempo todo, o outro apenas próximo das competições.

A Atividade Física Adaptada é sugerida aos deficientes como forma de terapia e motivação, não como um direto que deve estar ao alcance desta pessoa.

Refletiremos sobre os Esportes que se destacam muitas vezes dentro das normas da CPB (2008):

  • Basquete com cadeiras de Rodas – Foi a primeira modalidade Paraolímpica praticada no Brasil em 1958. Seus principais responsáveis foram Sérgio Del Grande e Robson Sampaio. Essa modalidade se organiza em seleções masculinas e femininas que tenham alguma Deficiência Física ou motora. Suas regras foram adaptadas da Federação Internacional de Basquete em Cadeira de Rodas. Todas as cadeiras são padronizadas e as dimensões da quadra são as mesmas do basquete Olímpico.

  •  Natação - A natação no Brasil começou a se destacar em 1984 quando conquistou diversas medalhas. Nesta modalidade competem atletas com diversos tipos de deficiência física ou visual. As provas são de 50m aos 100m nos estilos peito, costas e borboleta. O medley é disputado em provas de 150m e 200m. As adaptações são feitas nas largadas, viradas e chegadas. Os nadadores cegos têm um sinal por meio de um bastão. A largada é feita na água e as baterias são separadas de acordo com a deficiência.

  • Halterofilismo - No Brasil essa modalidade estreou em Atlanta (1996). Neste esporte Adaptado os praticantes permanecem deitados num banco e executam o supino. A prova começa quando a barra de apoio é retirada, deixando o braço totalmente estendido. É possível flexionar o braço descendo a barra até a altura do peito, e novamente eleva até a posição inicial.

  • Remo - Em 1980 a Superintendência de Desporto do Rio de Janeiro iniciou um programa “Remo Adaptado”. Essas atividades são para PCDF, mental e auditiva, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida e sociabilização entre os praticantes. O equipamento (remo) é propriamente adaptado. As corridas são realizadas num percurso de 1000 metros.

  • Tiro com Arco – Nesta modalidade competem tetraplégicos, paraplégicos e pessoas com modalidade limitada de membros inferiores. É preciso acertar o alvo a 70m que mede 1,22m de diâmetro. É possível a participação individual ou em grupo.

  • Bocha – A modalidade serve para quem tem problemas de paralisia cerebral severa e utiliza cadeira de rodas. O objetivo é lançar bolas coloridas o mais perto possível de uma bola branca o “bolim”. Permite-se usar as mãos, os pés e instrumentos para atletas com comprometimentos nos membros superiores e inferiores. Pode ser praticada individualmente, em duplas ou equipes.

  • Futebol de Cinco – Criado por APAEs por volta de 1978 para deficientes visuais, ao longo dos anos foi crescendo. É exclusivo para deficientes visuais, feito em quadras de futsal adaptadas. Só o goleiro deve ter a visão total. São cinco jogadores, sendo quatro na quadra e um no gol. As bolas precisam ter guizos. O jogo tem dois tempos de 25 minutos e intervalos de 10 minutos.

  • Futebol de Sete – Especificamente para paralisados cerebrais. Tem sido praticado por pessoas do sexo masculino onde seis jogadores ficam no campo e um no gol. A partida dura 60 minutos e tem um intervalo de 15 minutos. O campo tem 75m x 55m, com balizas de 5m x 2m. Os jogadores pertencem à classe menos afetada pela paralisia cerebral.

  • Hipismo – Em março de 2002 começam o hipismo nacional para deficientes. Pode ser praticado por pessoas com diversas deficiências sendo as provas mistas.

  • Rúgbi em Cadeiras de Rodas -  Parecido com o Futebol Americano o Rúgbi é formado por quatro jogadores e oito reservas pelas inúmeras colisões entre as cadeiras de roda no jogo. É necessário ter agilidade para manusear a bola, acelerar, frear etc. São usadas as quadras de Basquete com 15m de largura por 28 de comprimento, divididas em duas áreas. Há um círculo central em duas áreas-chave que ficam na frente da linha do gol. Especificamente para cadeirantes.

  • Vela – Teve início no Brasil em 1999. Pessoas com deficiência locomotora ou visual podem competir. São utilizados dois tipos de barcos da classe 2.4 m (tripulados por uma pessoa) e classe sonar (tripulados por uma equipe) com uma peça de metal abaixo impedindo de virar.

  • Ciclismo – Pode ser praticantes, paralisados cerebrais, deficientes visuais, amputados e lesionados medulares (cadeirantes). As provas são individuais ou em equipes. Suas bicicletas são de modelos convencionais ou triciclos para paralisados cerebrais. O ciclismo para cegos precisa de uma bicicleta dupla (com um guia na frente). A prova acontece numa pista oval entre 250 e 325 metros de extensão e cada categoria larga ao mesmo tempo.

  • Judô – Começou na década de 70 no Brasil. É uma modalidade para deficientes visuais.

  • Tênis em Cadeiras de Rodas – O Brasil conheceu essa modalidade em 1985 pelo cadeirante Jose Carlos Morais. A pessoa deve ter total ou substancial perda funcional de uma das partes extremas do corpo e se for incapaz de participar de partidas de tênis convencionais, será chamado a participar para cadeiras de roda.

  • Voleibol – Nesta modalidade competem atletas amputados, principalmente de membros inferiores e pessoas com outras deficiências motoras. A quadra geralmente é menor, com 10m x 6m, e a altura, com cerca de 1,15m do solo no masculino e 1,05m para o feminino. Os praticantes jogam sentados na quadra e o contato com o chão deve ser mantido em toda e qualquer ação.

A prática destes esportes é possível a qualquer Pessoa em Condição de Deficiência. Assim afirmam Araújo e Ribeiro (2004, p.64):

É uma área que permite o atendimento de uma clientela variada, no entanto, quando se faz uso de termos como “Paradesporto” ou “Desporto Adaptado”, farão parte dessa prática participantes que possuírem deficiência: física, visual, mental, auditiva e/ou múltiplas.

O D.A. foi criado exatamente para que a atividade física não fique omitida na vida das pessoas em condição de deficiência, mas que ao praticá-lo sintam-se novamente úteis dentro da sociedade, sejam vistos por outros e tenham grandes oportunidades através de seu desempenho juntamente com seu time. Ou simplesmente que pratiquem a seu gosto, sentindo-se mais felizes e integradas com o mundo em que vivem.

2.1.     Basquete sobre rodas e sua história

Diversas dificuldades foram encontradas para que este desporto obtivesse um desenvolvimento razoável. Ao longo de vários anos, a modalidade nacional conheceu os reais problemas das equipes, dos dirigentes das equipes e, acima de tudo dos atletas. Contudo, a Associação Nacional de Desporto para Deficientes Motores trabalha para que a organização da modalidade possa desenvolver-se e ir além, mesmo com suas dificuldades.

A história do Desporto Adaptado, assim como o Basquete sobre Rodas não se inicia aqui no Brasil, de acordo com Lago e Amorim (2008, p.1):

As primeiras modalidades de esporte adaptado tiveram origem na Inglaterra e nos EUA. Na Inglaterra, por iniciativa do médico Ludwig Guttmann, indivíduos com lesão medular ou amputações de membros inferiores começaram a praticar esporte jogos em um hospital em Stoke Mandeville. Nos EUA por iniciativa da PVA (Paralyzed Veterans of América), veteranos acidentados principalmente durante a segunda guerra mundial, surgiram às primeiras equipes de basquetebol em cadeiras de rodas, atletismo e natação.

O médico Ludwig Guttman, teve por objetivo criar o esporte adaptado como sugestão de melhora a PCD. Confirma Rosadas apud Levandoski e Cardoso (2008, p.1):

Sir Ludwig Guttmann, neurologista e neurocirurgião alemão acreditava que o esporte possuía a formula para motivar e diminuir o tédio da vida desocupada de um deficiente físico, mas acabou descobrindo muito mais, fez como que mundo se organizasse, mostrando que todas as pessoas com algum tipo de deficiência podem praticar atividade física e esportiva.

Assim a consciência de inclusão através do desporto dava o seu primeiro passo, As conquistas que nos dias atuais possuímos estão interligadas a idealistas que acreditavam no potencial das pessoas com deficiência motora. Este incentivo tornou-se real no Brasil em meados da década de 50.

Segundo a CBBC o basquete em cadeiras de roda foi à primeira modalidade adaptada a ser praticada no Brasil, por intermédio de Sérgio Del Grande. Em 1951 ele sofreu um acidente durante uma partida de futebol, ficando paraplégico. Sua busca por tratamento nos estados Unidos levou-o a perceber o quanto era dado valor a pratica esportiva associada à reabilitação. Quando voltou ao Brasil trouxe consigo uma cadeira de rodas especial para a prática do basquete e através de seus conhecimentos e exibições do desporto fundou o clube de paraplégicos de São Paulo. (Araújo, 1998)

Complementando o relato de Levandoski e Cardoso (2008) em si o esporte paraolímpico tem início no Brasil em 1958 com a fundação do clube Otimismo no estado do Rio de Janeiro. Em São Paulo foi criado o Clube dos Paraplégicos. A primeira participação do Brasil em campeonatos acontece no Para-panamericano de 1969 em Buenos Aires. O objetivo maior naquela competição era buscar conhecimento dos esportes e integração dos atletas.

É importante salientar o fato das pessoas com necessidades especiais sofrerem pelo descaso da sociedade, mas ao realizarem uma atividade física de integração com alguém de sua mesma deficiência o olhar se torna amplo. O basquetebol vem sendo uma grande influência durante anos para esta integração.

2.2     aplicando as regras, metodologias e didática do desporto sobre rodas: o basquetebol

O Basquetebol sobre rodas pode ser praticado por ambos os sexos. Suas regras são as mesmas da Federação Internacional Basquete Amador (FIBA). Existem algumas adaptações feitas pela Federação Internacional (IWBF) e atualmente possui 57 nações filiadas.

Segundo a CPB as cadeiras devem ser padronizadas conforme a regra. A cada dois toques o jogador deve quicar a bola. As dimensões da quadra e altura da cesta são as mesmas do basquete olímpico. Sua classificação é de acordo com o comprometimento físico-motor e a escala obedece aos números 1, 2, 3, 4 e 4,5. O número máximo de pontuação em quadra não pode ultrapassar 14 e vale a regra de quanto maior a deficiência maior a classe.

De acordo com a Universidade de Caxias do Sul, basicamente as regras do basquetebol sobre rodas são quase as mesmas do Basquetebol convencional. As diferenças estão nas adaptações feitas. Obrigatoriamente o jogador deverá jogar sentado na cadeira de rodas, só poderá impulsionar as rodas duas vezes antes de driblar, passar, ou arremessar a bola. Se impulsionar as rodas três vezes, incluindo o movimento do pivô, será considerado violação de percurso. A tabela é localizada na mesma altura para jogadores profissionais adultos situada a 3,05metros do chão.

Em relação à cadeira de rodas, deverá ter três ou quatro rodas, duas grandes localizadas na parte traseira e/ou duas rodas pequenas na parte da frente, os pneus traseiros devem ter um diâmetro de 71cm, e a roda deverá possuir um aro de impulsão. O jogador deverá usar uma almofada de material flexível sobre o assento da cadeira e não deve exceder de 10cm a não ser que os jogadores sejam de outra classe.

A falta técnica acontece quando o jogador mostra conduta anti-desportiva; quando elevar-se do assento da cadeira ou quando remover os pés do descanso ou usar outra parte do corpo que não sejam as mãos para obter vantagens tais como frear ou manobrar a cadeira. A cobrança de falta é de um arremesso, mais a posse de bola é do lado oposto á mesma. O capitão designa quem executará o arremesso.

No jogo de basquete é utilizada uma classificação de acordo com suas habilidades durante as apresentações, como: movimento da cadeira, driblando, passando, recebendo, arremessando e pegando um rebote.

De acordo com Courbariaux (1996) as classificações são 1.0, 2.0, 3.0, 4.0 e 4.5. Esses valores são somados dos cinco jogadores e não podem exceder a quatorze pontos. Essa “Classificação Funcional” é dividida em dois grupo A e B assim: A1=1.0 ponto, A2=2.0 ponto, B1=3.0 ponto, B2=4.0/4.5 ponto.

Os respectivos grupos se dividem assim: Grupo 1 – Classe 1.0 (sem movimentos do tronco no plano transversal). Grupo 2 – Classe 2.0 (conseguem desenvolver estabilidade ativa do tronco, paraplégicos T7 a L1). Categoria B 3.0/4.0/4.5 (são aqueles que têm a capacidade de fixar com controle a pelve). Grupo 3 – Classe 3.0 (conseguem flexão do tronco á frente e regressar á posição vertical do tronco sem apoio, paraplégico de nível L2 a L4). Grupo 4 – Classe 4.0 (Conseguem executar flexão lateral do tronco, para um dos lados e associar movimentos de abdução do quadril, lesão nível L5 ou inferior). Classe 4.5 (conseguem fazer flexão lateral do tronco para ambos os lados).

Descreve Dewell (1997) que o basquetebol sobre rodas tem se tornado um jogo cada vez mais atlético e a velocidade do jogo aumenta as tecnologias postas nas cadeiras e as habilidades dos atletas no manuseio tornam-se espetaculares. Isto torna difícil para a ação dos árbitros que têm frações de segundos para tomar a decisão. É de suma responsabilidade estudar detalhadamente as regras, tanto para árbitros, como para técnicos e jogadores.

3.     O que esperar dos resultados?

Segundo Lago e Amorim (2008) tudo esta relacionado a duas fontes essenciais que devem ser explicadas aos jogadores tal como o comportamento e orientação. Quando se pergunta aos jogadores sobre seus objetivos, são colocados: “ganhar a competição”, “vencer outra equipe” e “ser campeão nacional”, porém, é necessário lembrar os jogadores e técnicos de melhorar seus desempenhos, pois, freqüentemente jogam bem, mas acabam perdendo devido à orientação dos resultados, pois, são qualificados por nível de habilidade adversária, os árbitros, as lesões, doenças, etc.

O comportamento dos jogadores deve ser trabalhado intensamente assim como sua ansiedade e medo, portanto, não direcionar (ligar) jogador e objetivo. Separando-os é possível ter um melhor desempeno reduzindo a ansiedade e obtendo uma melhora ao grupo.

Dewell (1997) afirma que a didática utilizada para os jogos de basquete sobre rodas, deve ser dinâmica com seus jogadores e possivelmente fazer com que se desenvolvam fisicamente e construam táticas e técnicas possíveis para se obter um bom resultado.

Todo o processo de aprendizagem do basquete sobre rodas necessita do trabalho físico e mental de cada jogador. A instrução que os técnicos das equipes devem buscar é o desenvolvimento das qualificações dando ênfase em sua didática, aprimorando seus conhecimentos e também dos jogadores, mostrando extrema vontade, buscando resultados positivos para sua equipe.

4.     Os beneficios do desporto adaptado para a qualidade de vida de seus jogadores

Segundo Steinberg apud Araújo, Almeida e Itani (2004) “a prática de atividades físicas proporciona o bem-estar físico e psicológico em todas as pessoas, portadoras ou não de deficiência”. 

Os maiores benefícios que o esporte proporciona é a própria inclusão na sociedade. De acordo com Lago e Amorim (2008) os “novos“ deficientes se resguardam anos dentro de casa, sem motivação ou inconformados e sem reação diante da realidade. Então quando buscam atividade depara-se com a dura realidade do preconceito, a falta de espaços públicos e espaço para locomoção.

Infelizmente ainda vivemos na sociedade onde muitos nem se quer proporcionam bem-estar a outros que procuram, no entanto, quando se procura auxílio mediante a profissionais competentes há grandes possibilidades de desenvolvimento para a PCD em termos de qualidade de vida, desenvolvimento físico e reestruturação na sociedade. Contudo, é importante salientar que a falta de informação também pode levar á falta de oportunidades e, assim, muitos ficam sem o acesso aos profissionais que necessita.

Diante desse fato o esporte traz uma ferramenta poderosa para a reintegração da pessoa a vida social, além de proporcionar bom humor, aumentar a auto-estima, ampliando o circulo de amizades, felicidade e alegria para continuar na luta pela conquista de seu espaço.

O esporte também ensina a trabalhar em equipe, de maneira coletiva, fazendo com que a pessoa com deficiência possa ver a realidade e a possibilidade de praticar diversos esportes, como já citado anteriormente sendo: basquete, vôlei, tênis etc. Ao abraçar a prática esportiva é possível obter grande motivação para também praticar outras atividades como namorar, estudar, conhecer novos amigos.

Muitos não acreditam que há possibilidades por meio do Desporto Adaptado tanto para normais como PCD. No entanto, esse pensamento já está mudado e muito se estuda nesta área, assim afirmam Araújo, Almeida e Itani (2004, p. 1):

No meio acadêmico, atualmente, é possível detectar a iniciativa importante que vem contribuindo para a formação de massa crítica e registro da organização do Desporto Adaptado dentro de uma visão científica e suas inúmeras possibilidades a partir da prática do desporto pelas pessoas portadoras de deficiência. Iniciativas que estimularam a qualificação dos docentes para atuar junto a esta população como também na formação e produção acadêmica têm sido uma constância. O surgimento de associações científicas como a Sociedade Brasileira de Atividade Motora Adaptada (SOBAMA) e a busca de política que assegura a regularidade desta prática por parte das Associações diretivas do Desporto Adaptado são iniciativas que têm contribuído para a efetivação desta prática no Brasil.

Concluem esta visão acreditando que o Desporto Adaptado pode trazer inúmeros benefícios para seus praticantes. Estudos são feitos, hipóteses são comprovadas e esperamos que num futuro próximo, PCDF estejam obtendo resultados espetaculares muito além de suas expectativas e qualidade de vida que possam lhes proporcionar uma inclusão dentro da sociedade da qual sempre fizeram parte ativa o passivamente.

5.     Considerações finais

Buscamos nesta reflexão mostrar o Desporto Adaptado com uma possibilidade de inclusão da PCD dentro da sociedade. Objetivamos destacar o Basquete sobre Rodas pela influência estabelecida para seus jogadores como prática dinâmica, sendo praticado por pessoas com grandes limitações motoras e por este aspecto, possibilitar, mesmo em competições, o exercício do princípio da inclusão. Apresentamos diversos esportes Adaptados onde diferentes pessoas podem se ligar ao esporte de sua preferência e utilizá-lo para melhor qualidade de vida.

Procuramos destacar as principais regras do Basquete sobre Rodas com suas Adaptações para os grupos praticantes, destacando as deficiências e os níveis possíveis para se jogar.

Salientamos os propósitos positivos de estar incluso dentro do Desporto Adaptado onde a vida profissional e a pessoal do deficiente físico podem ter uma melhora espetacular, dentro de seus relacionamentos afetivos, casuais, motivacionais etc.

Ao término desta reflexão ressaltamos ainda mais a esperança de oferecer e disponibilizar práticas desportivas através de manifestações sistêmicas que busquem romper os possíveis limites públicos ou privados ainda existentes com relação PCDF incluindo-os dentro da sociedade, conquistando futuros espaços que enfim ainda não estão disponíveis em dias atuais. 

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Rodrigo Franco de Camargo Fausto

Carlos Rodrigo Coelho Tavares

Rita de Fátima Silva